Uma jovem de 14 anos, moradora de Jaguariúna (286 quilômetros de Bauru), foi encontrada pelo tio, com apoio da Polícia Militar, na noite de anteontem em Bauru. Segundo o familiar, M.E.T.L. afirmou que veio a Bauru se encontrar com amigos que conheceu através da internet.
Márcio Manoel Luiz, 38 anos, tio da menina, contou que os comportamentos dela começaram a mudar depois que sua mãe morreu, há cerca de sete anos, acometida por um câncer. “Mas nós sempre a ‘criamos’ muito bem. Ela morava só com o pai, mas sempre ficamos de olho na educação dela. Nos últimos meses ela começou a apresentar comportamentos diferentes e há um mês ela deixou de frequentar a escola”, relatou.
No último dia 10, ela teria aproveitado o momento em que o pai dormia para pegar o seu aparelho celular e R$ 150,00 que ele tinha na carteira e fugir. Em seguida, veio para Bauru de ônibus. “Ela comentava às vezes que queria vir a Bauru e nós achávamos estranho. Neste dia ela pegou o dinheiro e o celular do meu irmão (pai da garota) e sumiu. Nas primeiras horas achamos normal porque ela sempre sai com os amigos, mas depois procuramos a delegacia”.
Foi registrado boletim de ocorrência de desaparecimento, mas M.E. não aparecia. Na tarde de anteontem ela fez o primeiro contato com o tio, através de um orelhão, pedindo dinheiro e dizendo que estava em Jaú. No entanto, ao final da tarde ligou dizendo que estava em um orelhão, próximo a um restaurante da zona sul de Bauru.
“Ontem (anteontem) ela dormiu em um abrigo e hoje (ontem) meu irmão está trazendo ela de volta para Jaguariúna. Ela disse que se arrepende muito de ter feito isso”, finalizou.
Na era digital, a doutora em psicologia Regina Paganini Furigo frisa o estreitamento do relacionamento entre pais e filhos. “Essa aproximação, amizade, deve acontecer desde a infância porque a adolescência é uma fase de turbulência. Mas nunca é tarde. Essa aproximação também pode ocorrer na adolescência. Os pais devem apontar os erros, mas também aplaudir os acertos dos filhos. É na ausência dos pais, muitas vezes, que a internet acaba suprindo os espaços, já que está ali, ‘oferecendo apoio’ 24 horas”, explicou.