Quando eu era garoto, nos anos 50 do século passado, todo ano aparecia em casa um agente da saúde com seu uniforme amarelo e quepe semelhante ao dos guardas da polícia civil, o que nos fazia pensar que se tratava de um policial. Ele vistoriava todas as casas da vizinhança à procura de possíveis focos de mosquitos (pernilongos) causadores da febre-amarela.
Eles eram chamados de mata-mosquitos, se não me falha a memória. Ao sair, ele colocava um sinal marcado a giz azul, na parede da frente da casa, indicando que o local estava livre de focos do indigitado inseto. Em caso contrário, a residência era imediatamente fumigada com inseticida para evitar a proliferação do vetor da doença.
Jamais soube de algum caso em que alguém falecera vítima desses monstros de asas. Hoje, passados mais de 60 anos, o que vemos em nossa pobre Bauru: mais de dois mil casos de dengue, com algumas mortes, causadas por um parente daqueles monstros de outrora.
É evidente que o Brasil andou para trás nesses 60 anos!
Você, meu caro leitor, que me dá a honra de ler estas linhas. Você recebeu a visita de algum agente de saúde nos últimos meses? Eu afirmo que em minha casa não apareceu ninguém! Este é o Brasil de todos nós! Tem nó para a saúde, nó para a segurança pública.
Ah, ia me esquecendo. Em 2014 teremos a Copa do Mundo e apresentaremos aos visitantes do resto do mundo vistosos estádios, enquanto isso a saúde pública está um caos! A segurança pública está um caos e... por aí vai. Aonde vamos parar?
Na Roma antiga, os detentores do poder aplacavam o inconformismo dos descontentes com pão e circo. Aqui no Brasil, com uma inflação que já está fora do controle do governo, teremos quando muito, circo nos belos estádios. O pão, ora o pão... Se o povo não tem pão que coma brioche!
Saulo N. B. da Silva Teles