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Aumento da taxa Selic gera debates

Folhapress
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Um dia após o Banco Central aumentar em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros para tentar controlar a alta de preços, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) afirmou ontem que “alguns setores” inventam uma “propaganda” sobre a inflação.

“Eu acho que há uma preocupação de alguns setores em forjar uma espécie de propaganda da inflação, porque a gente sabe que a economia funciona também psicologicamente”, disse, sem detalhar que setores são esses.

Carvalho afirmou que “o governo está tranquilo”, que “a economia está sendo muito bem conduzida pelo ministro (Guido) Mantega” e que a “expectativa (do governo) é que a inflação comece efetivamente a reduzir”.

Selic

Ontem, o BC decidiu elevar a Selic, taxa de juros de referência do mercado, de 7,25% para 7,50% ao ano. Foi a primeira alta da taxa desde julho de 2011, que estava desde outubro do ano passado em seu patamar histórico mais baixo.

O governo já trabalhava com um ajuste na política monetária neste mês, diante da alta da inflação. O índice oficial (IPCA) acumulado nos 12 meses encerrados em março estourou o teto de 6,5% da meta do governo para 2013, chegando a 6,59%. Em geral, juros mais altos desestimulam o consumo, o que reduz as pressões de alta nos preços.

Cenários

A alta na Selic frustrou a expectativa de parte do mercado, que esperava um aumento de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros nacional.

Tal expectativa havia sido antecipada pelos contratos de juros futuros negociados na BM&FBovespa ao longo da semana. A taxa do contrato mais negociado, por exemplo, com vencimento em julho de 2013, havia fechado em 7,63% anteontem. Ontem, após a decisão do BC, esse contrato registrava baixa de 2,98% às 11h50 (horário de Brasília), para 7,40%.

Segundo especialistas consultados pela reportagem, o aumento da Selic para 7,5% ao ano pode ter sido uma saída estratégica encontrada pelo Banco Central para não trazer preocupação ao mercado.

“Esse aumento não dá conta de frear a inflação, até porque os efeitos de um aperto monetário costumam demorar mais ou menos seis meses para serem sentidos, mas tem um efeito psicológico no mercado”, diz Elad Revi, analista da Spinelli Corretora.

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