Nascido em 1876 no Estado do Tirol, situado no oeste da Áustria, o engenheiro Fausto Furlani chegou à região em 1903.
Um dos primeiros trabalhos do patriarca no Brasil, recorda a neta Marta, foi na construção da antiga estrada de ferro da Companhia Paulista. O pai do engenheiro cuidava de castelos no país natal, o que inspirou o imigrante a erguer a propriedade inspirada nas edificações austríacas.
De 1911 a 1913, os esforços foram concentrados apenas nos alicerces. Daí em diante, ergueu-se a imponente construção com a torre de 109 degraus. Atualmente, a torre está desativada para visitação, bem como os demais cômodos do castelo que lembra as antigas e majestosas construções, até mesmo com uma espécie de “calabouço” que servia de adega da família.
O corredor verde, com árvores que marcam o caminho até a porta principal, é formado por também centenários exemplares de frondosos plátanos (originários da América do Norte), com as tradicionais folhas que denotam a bandeira canadense. A mobília, descreve reportagem publicada em 1973 pelo extinto “Diário de Bauru”, foi trazida da Áustria.
Há um “pedacinho” de diversos países em cada canto da propriedade, lembra Marta Furlani. O cimento (que precisava ser importado, já que, na época, o Brasil não possuía o material) foi trazido da Alemanha, acondicionado em barris. As telhas foram fabricadas na França.
Ao redor da propriedade, entretanto, vestígios de riqueza genuinamente brasileira. Um grande terreiro de café evidencia qual era o propulsor de toda a imponência do castelo.
A inventividade de Furlani foi além. O sistema de fornecimento de água (um reservatório em formato de navio garante o abastecimento) foi concebido exclusivamente para a propriedade, com captação própria em ribeirão (posteriormente o curso foi desviado para ajudar a suprir a própria cidade). A energia elétrica também era autossuficiente mediante uma pequena usina, também desativada anos depois.
Cercado por um jardim repleto de enigmas - a inscrição “Castello Furlani” talhada na mureta que cerca a entrada principal tem a leitura possibilitada apenas de longe -, “habitado” por guardas do Vaticano, leões, entre outros “guardiões” de cimento, como uma águia, um urso, um caboclo e um menino, o castelo também guarda “segredos” do outro lado.
Uma ponte, talvez inspirada nas pontes elevadiças dos lendários castelos medievais, liga a construção principal à área em volta da cascata, zelada por uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes. Está ali desde as bodas de ouro do casal, celebradas em 1950, como indica placa comemorativa fixada no cantinho com vista privilegiada para a torre, habitada por uma não menos imponente colmeia.
Símbolo
Prestes a completar 100 anos de existência, o Castello Furlani é um símbolo da cidade. Um grande quadro na entrada do gabinete da prefeitura de Pederneiras é apenas uma das evidências da representatividade da construção para a história e cultura do município.
Prefeito em dois mandatos, o construtor costumava receber no castelo autoridades políticas que visitavam a cidade.
Nos anos 1970, o próprio Furlani foi o “embaixador” de Pederneiras em “guerra televisiva” no extinto programa de auditório Cidade contra Cidade, apresentado por Silvio Santos. A batalha foi vencida por Taquaritinga.
Contudo, após a aparição na telinha, Pederneiras foi inundada por visitantes curiosos em ver de perto a inusitada moradia para os padrões brasileiros.