A defesa de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, condenado na noite de anteontem a 22 anos de prisão em regime fechado pelo homicídio e ocultação de cadáver de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes de Souza, afirmou que irá recorrer da decisão dos jurados.
Os advogados de Bola vão argumentar que houve irregularidades durante o processo do júri, e que a decisão foi contrária às provas que constam nos autos.
Logo após o término do julgamento, Ércio Quaresma, principal advogado de Bola, declarou que “obviamente já manejou recurso”, e atribuiu à imprensa influência no resultado do julgamento.
“A imprensa tem que repensar seu comportamento, o prejulgamento tem uma influência monumental no resultado que está aqui”, disse.
De acordo com as atuais regras de progressão de regime prisional, Bola poderá pedir para cumprir pena em regime semiaberto após cumprir dois quintos de sua pena, o que corresponde a aproximadamente nove anos. Enquanto aguardava o julgamento, ele já cumpriu três anos.
Eliza desapareceu em junho de 2010 e seu corpo nunca foi encontrado. O ex-policial civil Bola, apontado como o executor do assassinato da ex-modelo, foi o quinto réu julgado pelo crime.
Antes, foram julgados Luiz Henrique Romão, o Macarrão, ex-secretário do goleiro, e Fernanda Castro, ex-namorada do jogador. Depois deles foram julgados Bruno e sua ex-mulher, Dayanne Souza -a única absolvida.
Na sentença, a juíza Marixa Fabiane Lopes classificou Bola como “agressivo” e “impiedoso”, e afirmou que o réu “tinha plena consciência da gravidade de seu ato” mas, ainda assim, “agiu amparado pela certeza da impunidade”.
Interrogado anteontem, sexto dia de julgamento no Fórum de Contagem (MG), Bola chorou e disse ser inocente. “Eu jamais mataria alguém”, afirmou.
Ao ler a decisão, a juíza Marixa Rodriguez disse que o ex-policial cometeu um “crime perfeito” ao ocultar o corpo de Eliza, uma vez que ele nunca foi encontrado. Foi o julgamento mais longo entre todos os envolvidos no caso da morte da ex-modelo.
Mesmo com a defesa insistindo na ausência de provas contundentes que ligassem Bola a morte, esquartejamento e ocultação do corpo da vítima, os jurados - três mulheres e quatro homens - entenderam que o ex-policial, preso há três anos, é responsável “pelo ato que deu fim à vida de Eliza”.
O debate entre acusação e defesa deixou, por várias vezes, o mérito do caso de lado e se tornou uma troca de ofensas. Os termos “canalha, prostituta e vagabundo” foram explorados por ambas as partes. O promotor explorou até o fato de o advogado de defesa, Ércio Quaresma, já ter sido suspenso pela OAB por uso de crack. Já o advogado se referiu à vaidade e jovialidade do acusador, dizendo que ele usa “gomalina no cabelo”, que fez aulas de teatro, e chegou a imitar o seu sotaque.