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Passeata reúne apoiadores de padre excomungado

Marcele Tonelli com redação
| Tempo de leitura: 4 min

Cerca de 250 pessoas participaram na manhã deste sábado (4) de um ato denominado Passeata da Família, marcha em apoio ao padre Roberto Francisco Daniel, mais conhecido como padre Beto, recentemente excomungado pela Igreja Católica por meio da Diocese de Bauru.

A ideia do movimento surgiu de um grupo, o “Eu apoio padre Beto”, criado no Facebook e que até a tarde deste sábado, contava com cerca de 2.550 seguidores.

Vestidos de branco, com lenços nas mãos e entoando a canção gospel “Noites Traiçoeiras” (de autoria do Marcelo Rossi), o público formado por apoiadores de Beto demonstrava por meio de frases e cartazes a defesa ao padre excomungado.

Além disso, durante a manifestação alguns presentes também criticavam a postura que consideram conservadora da Igreja frente à discussão de alguns temas como a homossexualidade, por exemplo, em cartazes com mensagens de amor ao próximo. Roberto Daniel, contudo, não compareceu ao ato, que contou com apenas com presença do vereador Markinho da Diversidade (PMDB).

“O padre Beto é um educador e representante exemplar da atual configuração da sociedade. Não dá mais para virarmos as costas para alguns assuntos. Ele apenas se expressou. A excomunhão foi uma contradição. Afinal, pelo que sei, nenhum caso de pedofilia teve tanta repercussão ou punição assim”, defende a seguidora de Beto, Marta Dalmédico, 47 anos.

A concentração dos participantes para a passeata ocorreu às 10h30 em frente à Catedral Divino Espírito Santo, na Praça Rui Barbosa, e terminou na Praça Machado de Melo, ao final do Calçadão da Batista.

Conforme o organizador da manifestação, Reginaldo Tech, a expectativa era de reunir ao menos 500 pessoas no local. “Não queremos reverter nenhuma excomunhão, mas mostrar nosso apoio ao padre e à liberdade de expressão”, pontua o organizador, que também é professor de comunicação.

Ao longo da marcha, alguns consumidores expectadores da manifestação opinavam sobre a polêmica.

“Acho que pecaram pelo exagero. Ele devia ter respeitado mais a Igreja. Eu gosto do padre, mas achei que ele mudou de opinião rápido demais. Até já está se envolvendo na política”, comenta a católica Rosangela Santana, 43 anos. “Não será estranho se ele sair candidato a prefeito e ganhar. Acho que ele será melhor político do que padre”, completa a evangélica Creuseli Evangelista,42 anos, opinando sobre o tema.

 

Caso de polícia

Alguns manifestantes foram atingidos por um líquido, durante a passeata.

Em entrevista à equipe de reportagem do JCNet, a bióloga Viviane Pinheiro, de 48 anos, disse que foi atingida pelo líquido na região do rosto, dos braços e dos ombros, quando os manifestantes estariam na quadra 1 do Calçadão da Batista de Carvalho. Ainda segundo a bióloga, sua mãe, uma aposentada de 78 anos, sua sogra e mais duas pessoas teriam sido atingidas.

Segundo o boletim de ocorrência (BO) registrado neste sábado, o líquido teria sido jogado contra as vítimas do segundo andar de um prédio comercial localizado na quadra 1 do Calçadão da Batista.

Ainda segundo o BO, Viviane e sua mãe de 78 anos foram atendidas pelo médico plantonista no Pronto Socorro Central (PSC) de Bauru, que atestou que o líquido, inicialmente, não aparentava ser um ácido e que não agrediria a integridade física das vítimas. Entretanto, Viviane alega que está “acamada” em sua residência por motivos da agressão.

“Eu fui a mais atingida, agora eu quero Justiça! Isso para mim foi um atentado”, comentou Viviane, que diz estar sendo medicada após passar por atendimento no PSC de Bauru.

 

Douglas Reis

Cerca de 250 pessoas participaram de manifestação em apoio ao padre Beto

 

Histórico

No último dia 24, a Diocese de Bauru se posicionou sobre os vídeos postados em redes sociais por padre Beto que contestavam a postura conservadora da Igreja e criaram grande polêmica. A determinação era de que o então padre retirasse do ar os conteúdos e se retratasse publicamente pedindo desculpas até o dia 29 de abril.

Contudo, no próprio dia 29 a cúpula da Igreja se reuniu e decidiu pela excomunhão do padre.

Conforme o comunicado da Diocese, as opiniões expressas por ele sobre a postura conservadora da igreja e temas como a bissexualidade, amor entre pessoas do mesmo sexo e a fidelidade conjugal traíram o compromisso com a igreja, à qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal.

Diante disso, Roberto Daniel foi demitido do estado clerical e também banido de quadro de fiéis da Diocese bauruense, estando impedido de ministrar em nome da instituição religiosa e de receber qualquer tipo de sacramento.

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