Ciências

Campeonato de cicatriz: vai participar?

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 5 min

Nossas carnes sangram! Uau, isto é muito poético. O que sangra no corpo são tecidos conjuntivos. As nossas carnes, ou nossos tecidos conjuntivos, são encapados ou revestidos pelos epitélios da pele e mucosas para aquele acabamento mais aceitável. Já se pensou com superfícies úmidas e sangrantes; a pele e as mucosas deixam nossas partes mais atraentes, lisinhas e cheirosas!

Quando as carnes ou os tecidos conjuntivos são lesados, os buracos, cavidades e espaços vazios são preenchidos por coágulo sanguíneo, inclusive nas cirurgias. Como um gel, o coágulo vai sendo povoado por células e vasos sanguíneos e forma uma massa mole conhecida como tecido de granulação. Tal como tecido embrionário, em dias dará origem a um novo conjuntivo e carnes novas preencherão os espaços. Esta forma de reconstrução chama-se reparação ou reparo.

Quando nossas capas ou revestimentos são arranhadas, rasgadas ou lesadas como nos traumas e queimaduras, são reconstituídas por si mesmas, sem precisar de coágulo. Esta forma de reconstruir-se chama-se regeneração. Os tecidos do corpo podem se reconstruírem por reparação ou regeneração.

As reconstruções podem deixar marcas ou defeitos conhecidos como cicatrizes. Os grandes amores deixam cicatrizes, os demais se esquece! Quantas músicas tem o nome de “cicatrizes”! Em português, palavras que terminam em “ação” indicam processo. Cicatrização é o processo pelo qual se forma cicatrizes, sinais e marcas. Reparação e regeneração podem deixar marcas, mas na maioria das vezes, não!

Cicatrização não é sinônimo de coisa boa ou reparação. Se uma pessoa fala: eu tenho uma cicatrização ótima! Significa, quando machuco, as cicatrizes são exuberantes, grandes, gigantes e maravilhosas! O fato de muita gente usar errado, não significa que está certo! Corrupção é muito frequente, mas não é correto!

Na maior audiência da tevê, a profissional disse: - essa película usada nos pacientes da boate Kiss deixa a cicatrização muito boa e os queloides ficam mais bonitos! Meu Deus, temos que reformatar a língua portuguesa. Não existem áreas técnicas, dialetos ou jargões profissionais com licença para ferir a língua mãe! Logo a mãe!

Queloides ?


Os queloides exercem um fascínio inexplicável nas pessoas. Em reuniões familiares ou de amigos a estatística revela:  50% fala-se da vida alheia, os outros 50%, doenças e morte! Nos salões de beleza a palavra queloide provoca um frenesi e tem início o campeonato: quem tem o queloide mais interessante! É incrível. O maior, mais escuro, mais velho, mais duro, mais liso ... enfim, várias modalidades!

Lembrete: quem tem queloide não participa de campeonato. Queloide é chato, incomoda, sempre volta, tem prurido e cresce continuadamente, invade e extrapola para áreas vizinhas. Quem tem um, pode ter outros queloides em acnes, brincos, piercings, tatuagens e simples machucados. Quem tem queloide, quer esquecer, nem falar disto!

Quem participa de campeonato tem o quê? Cicatriz hipertrófica: uma marca maior ou elevada, dura e irregular. Uma cicatriz comum pode assumir este aspecto, mas fica estável, não é pruriginosa nem vinhosa, muito menos cresce continuadamente como uma neoplasia, como ocorre com queloide.

A cicatriz torna-se hipertrófica em quem não seguiu as recomendações do profissional: ficar quieto imobilizando a região; não dirigir, por exemplo. Não tomar sol ou ir na piscina ou praia! Usar curativos oclusivos, mas não usou! Não praticar esporte, e o fez. Tudo isto leva o local em reparação a sangrar, romper o tecido de granulação e contaminar com bactérias, deixando-o irregular. No final, a cicatriz fica feia e aumentada, mas estável: tirou ou tratou e seguiu as recomendações, volta ao normal.

Para o queloide existem várias formas de tratamento, mas tem que ter persistência e paciência: tanto o paciente, quanto o profissional. O queloide ocorre mais em pessoas de pele escura e orientais. No Brasil, a miscigenação faz brancos ter queloides pois estão relacionados a certos genes.

Refazendo o dito na tevê: a película usada nos pacientes da boate Kiss melhora a regeneração da pele ou epiderme. Mais profundamente, na derme de tecido conjuntivo, as películas melhoram a reparação. A película diminuiu a ocorrência da cicatrização ou formação de marcas, sinais ou cicatrizes.

Algumas coisas não têm explicação: não têm queloides nas mucosas, só na pele, mas não afetam pálpebras, palma das mãos e plantas dos pés. Aceite: não tem explicação ou então consulte www.céu.com/jesus!

 

 

Observatório

Chantagens - Algumas mentiras repetidas incansavelmente se transformam em verdades! Quase ... até um dia alguém descobrir que manga com leite não faz mal: é mentira! Os senhores de engenho não queriam que os escravos bebessem o leite do rebanho. Como os escravos adoravam manga, inventaram esta falsa verdade de que manga com leite faz mal e economizavam no leite! Outra mentira: ficar mordendo a bochecha toda hora provoca câncer! Ou que dentes cariados ou quebrados machucando os lábios e a língua induzem lesões malignas na língua ou em outras partes da boca! Tratar os dentes deixa as funções da mastigação e deglutição muito melhor! A estética fica linda com dentes brancos e completos! Mas dizer que dentes quebrados e cariados leva ao câncer está mais para chantagem emocional do que para verdade! Nos dias atuais, as principais causas de câncer bucal e de orofaringe são: vírus HPV, álcool, tabaco e radiação solar, contando ainda os inúmeros tipos de substâncias químicas contidas em produtos de higiene, clareadores, pesticidas, herbicidas e produtos industrializados.


Exploração animal - A principal agência de financiamento à pesquisa de saúde nos Estados Unidos, os Institutos Nacionais de Saúde (NIH), recebeu relatório de especialistas recomendando a aposentadoria das várias centenas de chimpanzés utilizados em pesquisas patrocinadas pela instituição. Seis dos nove estudos invasivos que utilizam esses animais devem ser encerrados. Se Francis Collins, diretor geral, acatar as recomendações será “um marco nas políticas de uso de animais em pesquisa e um aval à conclusão de que é cada vez menos necessário usar chimpanzés em pesquisas”, assim declarou Jeffrey Kahn para a Nature. um especialista em bioética. Documento do Instituto de Medicina das Academias Nacionais dos EUA considera que boa parte dos chimpanzés pode ser substituída por outros modelos experimentais. As pesquisas em chipanzés ficariam restritas ao desenvolvimento de vacinas para hepatite C.

 

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