Há muito tempo desejo escrever para essa tribuna, só não imaginava ter que me manifestar diante de triste acontecimento. Antes que pudesse ver o vídeo tão comentado, ouvi as opiniões ao meu redor sem defender ou condenar, pois a ignorância é a pior conselheira. Assisti ao vídeo do então padre Beto e do sr. bispo. Senti nos dizeres deste a mágoa de um pai cuja fala de seu filho vinha incomodando a alguns "católicos" e que lhe cobravam uma atitude. Ao assistir o vídeo do ?então? padre Beto, vi um discurso que pregava o amor acima das convenções sociais e religiosas (o que Jesus também fazia).
O que pude entender desse vídeo e de outros que vi (até então nem sabia dos vídeos postados pelo padre) foi que a igreja precisa mudar sua postura diante de situações vividas pela sociedade contemporânea e que ela, igreja, prefere ignorar ao discutir sobre. Situações que o fiel finge não viver, mas que deve contar no confessionário. Quem é cristão católico (ou não), reflexivo e integrado com os acontecimentos de nosso tempo, sabe que a hipocrisia habita a todas as religiões. Sabemos que alguns líderes religiosos pregam a moral de Jesus, mas fora de seus altares e seus púlpitos, a ética, a moral, a caridade, não fazem parte de seu cotidiano.
Quem não tem uma história de decepção para contar? Padre Beto não poderia voltar em sua palavra, pois quando diz que a igreja (instituição) deve ser mais atuante na vida política, mais amorosa e caridosa com as diferenças e atual, à frente de seu tempo, certamente deseja que essa instituição não apenas pregue os ensinamentos de Jesus, mas que os viva e viva plenamente como o próprio Cristo Jesus viveu, pagando um alto preço por não voltar atrás em seus ensinamentos, nem mesmo no momento de sua condenação. Lembrem-se a mão que aponta o dedo para o outro tem três dedos apontando para si mesmo. Que a misericórdia de Jesus ilumine àqueles que utilizam palavras tão duras a um filho de Deus. Fica em paz, Beto, pois, o que Deus uniu o homem não separa.
Tania Regina Ruiz - pedagoga e cristã