Tribuna do Leitor

A "corrida" da vacina contra a gripe


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"Bauru ?corre? para atingir meta da campanha de vacinação contra gripe".

O tema foi reportagem neste conceituado jornal no último dia 3 de maio, tendo como dados o registro de 48,26% do total estimado do público-alvo da campanha, sendo que o esperado é 80%. Refere ainda que acredita-se que o baixo número de pessoas vacinadas é atribuído ao medo de agulhas e/ou dos efeitos colaterais.

Pois bem, sou um cidadão, com 42 anos de idade, portador de diabetes mellitus e, por este motivo, enquadrado no público-alvo da campanha (pessoas com doenças crônicas). Ocorre que fui até o posto de saúde que atende o bairro em que moro, o local estava sem um paciente sequer, e mesmo assim não pude tomar a vacina, visto que somente o nome do medicamento que tomo não foi suficiente para a atendente acreditar que eu tenho a doença. Concordei com a solicitação de que eu buscasse a receita para comprovar o fato, afinal, é uma exigência do Sistema de Saúde e a funcionária não é obrigada a acreditar no que os pacientes falam. Não fui informado do horário de atendimento para tal procedimento. Sabendo que a unidade descentralizada de saúde atende até às 17h, estive lá às 16h10, com a tal receita. Não consegui tomar a vacina, já que o horário do posto é até 17h, mas o horário para a vacina é até 16h (mesmo estando vazio o local). Não discuti, afinal regras são regras.

No entanto, a tabela de postos de vacinação divulgada no JC consta o horário de atendimento das 8hs às 17hs, exceto em um posto, que não era o que utilizo.

Presumi então que cada posto define seu horário e arrisquei ir à outra unidade de saúde mais próxima. Cheguei às 16h32 e também não pude tomar a vacina porque o horário era até 16h30 (lembrem-se que a tabela da reportagem diz que vai até as 17h). No local não havia ninguém para ser atendido e as funcionárias estavam lá: "batendo um papinho" num final de tarde de sexta feira. Insisti, pois eram apenas dois minutos de atraso, mas alegaram que há uma preparação prévia que deve ser feita para aplicar a vacina. Será que o problema para atingir a meta está mesmo relacionado com o medo de agulhas ou dos efeitos colaterais?

Resta saber: será que essa meta realmente vai ser atingida desta maneira? A Secretaria Municipal da Saúde espera por isso, mas alguns funcionários não tocam o mesmo apito.

Sei que ainda posso ir outro dia (até o dia 10), dentro do horário estipulado, e vou fazê-lo pela minha saúde, mas convenhamos que a paciência se esgota diante de tanta falta de vontade dos que deveriam atender com compromisso e respeito à população.

A OMS - Organização Mundial de Saúde - tem uma preocupação mundial a respeito da gripe, fazendo uma vigilância do vírus influenza em mais de 80 países. O Brasil também faz parte da rede integrada de vigilância contra a gripe. Conforme pesquisas, a vacina é eficaz em cerca de 89% dos casos, desde que tomada na época adequada.

E se a meta não for atingida, o que será feito com as vacinas que restarem?

Vale a pena refletir essa campanha!

Alexandre Rodrigues de Souza - O último Dinossauro

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