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EUA premia armadilha contra dengue

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Sem uma vacina, a dengue infectou oficialmente 4.073 pessoas e matou duas neste ano, até ontem, em Bauru. As equipes de controle de zoonoses ‘enxugam gelo’ com pouca eficiência no combate à população de Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença.  


Longe daqui, uma isca inteligente criada pelo biólogo bauruense Álvaro Eduardo Eiras ganhou, no final do mês de abril, o reconhecimento internacional como tecnologia inovadora ao receber a premiação Edison Award 2013, em homenagem a Thomas Edison, inventor do telefone e da lâmpada elétrica.


Em 2006, Eiras recebeu das mãos do magnata Bill Gates, um dos fundadores da Microsoft, o prêmio pela inovação tecnológica em benefício da humanidade Tech Museum Awards. Era o definitivo reconhecimento internacional do invento com prêmio entregue em San José, Vale do Silício, Califórnia (EUA), lugar que é uma plataforma de lançamento de inovações tecnológicas.  


Eiras revela que empresas norte-americanas já demonstram interesse na tecnologia criada por ele para combater o vírus do Oeste do Nilo (West Nile Virus), doença transmitida por mosquito que em 2012 causou mais de 300 mortes.


Em 2008, a Prefeitura de Bauru instalou 1.400 armadilhas criadas por Eiras em diversos pontos da cidade e fez o monitoramento eletrônico da fêmea do Aedes responsável pela transmissão da doença. A iniciativa custou R$ 197.970,00 com a aquisição do equipamento junto à Ecovec Ltda. A empresa de biotecnologia desenvolveu e aperfeiçoa a tecnologia, inventada por Eiras na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde o bauruense é professor no Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biológicas.


O biólogo bauruense comenta desconhecer o motivo para Bauru não implantar a tecnologia definitivamente. “Mas tenho certeza de que não foi técnica, porque estive no gabinete do secretário de Saúde da época, juntamente com o coordenador do Centro de Controle de Zoonoses de Bauru, e ambos elogiaram a tecnologia”, comenta. O JC contatou a Secretaria Municipal de Saúde sobre o assunto, mas a pasta não se pronunciou a respeito.


Eiras está no que denominou período sabático, cumprindo temporada de visita à James Cook University, no município de Cairns, na Austrália, cidade que implantou sua tecnologia contra a dengue.

 

Cerco eletrônico

A denominada armadilha contra o Aedes é o MosquiTrap base do sistema MI Dengue de monitoração eletrônica. A fêmea é atraída à armadilha pelo odor criado por Eiras, chamado de AtrAedes. Ao entrar na armadilha plástica que simula um recipiente, a fêmea fica presa em um cartão adesivo.


As armadilhas são dotadas de sistema GPS de monitoramento. O gestor tem online as informações das áreas com focos da doença. A contagem dos mosquitos é enviada pelo celular e processada por um software que auxilia a traçar o mapa da dengue. O MI Dengue é comercializado pela empresa de biotecnologia Ecovec.


Eiras frisa que a tecnologia não controla o vetor, mas localiza para os gestores de saúde os focos de mosquitos adultos, se os mosquitos estão infectados (pelos quatro sorotipos) ou não pelo vírus da dengue. Relatórios são enviados semanalmente aos gestores.


Outra questão equacionada pelo MI Dengue é se a política de combate ao mosquito é bem aplicada. O biólogo bauruense define que sua tecnologia é capaz de monitorar também os agentes de campo, para saber se eles visitam as residências e fazem o trabalho correto.

 

Custa 1 real

O biólogo bauruense Álvaro Eduardo Eiras, inventor da armadilha contra o mosquito Aedes aegypti, ressalta que sua tecnologia custa aproximadamente R$ 1,00 por ano por habitante. Para cada R$ 1,00 investido na tecnologia, o retorno direto e indireto é de cerca de R$ 6,00, conforme contabiliza Eiras. Estimativas de 2010 apontavam que um paciente internado com dengue custa cerca de R$ 3,5 mil por dia ao Sistema Único de Saúde (SUS).


O biólogo conta que possui comparativos científicos da eficiência da armadilha na redução do número de casos de dengue. Ele garante que o custo-benefício seria grande nas cidades que utilizam a tecnologia. Segundo Eiras, com seu invento, as chances de uma epidemia ficam reduzidas em aproximadamente 2,7 vezes. “Reduz mais do que o dobro de casos de dengue no município”, sugere.

 

Pelo mundo

A tecnologia premiada por sua inovação MI Dengue ganha adeptos mundo afora. O bauruense Álvaro Eduardo Eiras cita que nenhum país de Primeiro Mundo possui esse tipo de tecnologia. Ele explica que já visitou os Estados Unidos diversas vezes e até hoje os norte-americanos não implementaram uma tecnologia similar.


O bauruense conta que a MI Dengue já foi usada por mais de 60 municípios brasileiros. Eiras comenta que Belo Horizonte (MG), que vivencia uma epidemia de dengue neste ano, usa outra metodologia que resolve temporariamente o problema. Atualmente duas capitais brasileiras utilizam a tecnologia: Porto Alegre (RS) e Vitória (ES).


No Estado de São Paulo, Santos adotou o MI Dengue. Fora do Brasil, a inovação já chegou à Singapura, Havaí (EUA), Austrália, Colômbia e Ilha da Madeira (Portugal). Eiras comenta que nessas áreas cobertas pela armadilha estima-se que vivam mais de 5 milhões de pessoas.


 

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