Nacional

Calouro é vítima de preconceito por usar saia

Por Natalia Julio | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Em 24 de abril, o calouro do curso de têxtil e moda da USP Vitor Pereira, 20, vestiu uma saia e foi à aula, no campus da zona leste de São Paulo. Ao vivo, recebeu alguns elogios e outros "olhares estranhos". Na internet, porém, foi alvo de críticas e preconceito, e recebeu ofensas anônimas no Facebook.

Ele então decidiu criar uma página na rede social - chamada "Homens de saia" - para defender o uso da peça por ambos os gêneros. Agora, o movimento sai do espaço virtual para ganhar as universidades.

Eventos criados no Facebook em diferentes universidades dão apoio à causa de Vitor e incentivam a quebra dos padrões. Há protestos agendados em diversos campi da USP, como o do largo São Francisco (centro de São Paulo).

No evento "USP de saia!", marcado para depois de amanhã na Cidade Universitária (zona oeste), mais de 2.500 pessoas confirmaram presença.

"Cansei de me enquadrar em nomes, ideologias e coisas. Eu quero que as pessoas repensem o que a sociedade impõe a elas. Eu me sinto mais confortável usando saia do que um par de calças", desabafa o jovem.

Já a manifestação agendada em São Carlos foi divulgada, inclusive, no perfil de Laerte Coutinho, cartunista e ativista. "Eu fiquei muito feliz, não esperava nem um terço da repercussão", comemora Vitor.

USP de saia

O estudante de educação física Diego Santos, 26, é um dos responsáveis pela organização do "USP de saia!", junto a outros três jovens - que não se conhecem pessoalmente. "Apesar desse movimento ter surgido em um grupo LGBT da USP, ele vai além disso. É uma discussão de padrão de gênero. Por que homem não pode usar saia, sendo que isso é normal em outras culturas?", indaga.

Os organizadores pedem para que os estudantes saiam de casa usando a peça (no caso das mulheres, qualquer outro tipo de transgressão é válida, como gravatas e afins), para verificar a reação das pessoas na cidade. Na USP, pretendem fazer discussões sobre o tema.

Apesar do número de confirmados no evento ser satisfatório, o jovem Fernando Pereira, 17, calouro de engenharia e um dos organizadores do protesto, sabe que a realidade pode ser diferente. "A gente espera que vá bastante gente, mas muitos confirmados só colocam que vão para apoiar a causa." Mesmo assim, o saldo já é considerado positivo. "Em educação física, que é um curso considerado machista, as pessoas estão aderindo. O capitão do time de vôlei planeja um treino com saias", conta Diego.

USP DE SAIA!

Quando: quinta (16), às 18h

Onde: Cidade Universitária, praça do Relógio (centro do campus)

    

 

Comentários

Comentários