Cultura

Viva a praça viva

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Apontada como uma das maiores de Bauru, o “Projeto de Praça” Val Rai, localizada defronte à Escola Estadual Professor Francisco Alves Brizola, luta pela sua inauguração.

Um grupo se dedica a garantir as melhorias necessárias na praça... que não é qualquer praça. “Val Rai”, localizada no bairro Jardim Olímpico, é um espaço que se transforma a cada dia pelas mãos da comunidade. Também é o primeiro espaço público que dispõe do trabalho de bioarquitetura, que agrega educação ambiental, reaproveitamento de lixo e também o lado artístico. A primeira “bioescultura” já foi feita no local, em 2009: uma homenagem a Val Rai, artista bauruense falecido em 2008.

Em sua segunda fase, o projeto de praça leva o nome de “Praça Cultura Viva” e foi novamente aprovado pelo Programa Municipal de Estímulo à Cultura. Com isso, o espaço ganha força para melhorar sua infraestrutura e ampliar suas atividades. “Essa praça tem uma área de 7.200 metros quadrados e era um bolsão de entulhos. O local vem se transformando gradativamente, com a ajuda da comunidade”, conta Regina Ramos, atriz e integrante do projeto. José Augusto Marion, comerciante; e Olívia Arantes Souza, presidente da Associação dos Moradores do Geisel, são duas figuras importantes do bairro que vêm ajudando a praça a ganhar mais forma. Desde a plantação de árvores até abaixo-assinado, entregue nesta semana para a Prefeitura de Bauru.

“Fizemos uma abaixo-assinado para ver o que a população gostaria que tivesse na praça. Foram coletadas aproximadamente 500 assinaturas de moradores. O documento pede por bancos, iluminação, academia ao ar livre, parquinho para as crianças e pista de caminhada”, afirmou José Augusto.


Inauguração

Eliane Katayama, arquiteta que está à frente do projeto, explica que a intenção é inaugurar a praça com mais estrutura e uso constante da comunidade. “Então, o objetivo, agora, é envolver ainda mais a comunidade e buscar melhorias de infraestrutura”, sublinhou.

“Depois de pronta, será ‘praça-modelo’, pois a cidade não tem um porte de praça como essa tem, com essa bioarquitetura”, observa Olívia.

“A praça em si é cultura, ela é espaço para desenvolver a cultura. Essa cultura de praça está se perdendo com tempo”, alegou o estudante de arquitetura da Unesp, Raul Sanches, que também trabalha pela melhoria do espaço.

  • Serviço

  • Contato com o grupo do projeto “Praça Cultura Viva”: Regina Ramos (14) 3016-4661 e Eliane Katayama (14) 8125-5506.


    Bioescultura ‘Val Rai’

    Na primeira fase do projeto “Praça Cultura Viva”, crianças da Escola Estadual Brizola trabalharam na construção de uma bioescultura, com bases na vida e obra do artista bauruense Valdir Aparecido Raimundo, o Val Rai. O trabalho faz referência ao último espetáculo de Val  “Lá Vem o Trem da Terezinha, o Trem que Parado Causa Dor” e à performance de butoh, que era a marca do artista. 

    A próxima bioescultura será uma tartaruga gigante, que vai funcionar como “trepa-trepa”. Paralelemente às atividades de bioarquitetura, outras ações integram o projeto “Praça Cultura Viva”: aulas de teatro e oficinas educação sustentável/bioarquitetura envolvem crianças atendidas pelo Cevac e alunos da Escola Estadual Professor Francisco Alves Brizola.

    Para ocupar os ambientes da praça, o grupo idealiza formalizar uma horta. A intenção é também fazer uma academia ao ar livre com materiais sustentáveis, como bambu e garrafa pet.


    Iluminação de led

    Uma das necessidades para o projeto de praça é a infraestrutura que possibilite iluminação, também reivindicação pontuada no abaixo-assinado entregue à Prefeitura. Eliane Katayama diz que a praça está aberta a apoiadores que queiram conceder material para iluminação de led. “O material seria concedido por uma empresa que queira apoiar o projeto da Praça Cultura Viva e a Prefeitura iria entrar com a mão de obra”, enfatiza a arquiteta.

    “Esse tipo de iluminação utiliza menor energia e tem maior durabilidade, diferente das utilizadas hoje em dia”, explica.


    Mais

    O projeto “Praça Cultura Viva” proposto pelo grupo Sociedade Amigos da Cultura é aprovado pelo Programa Municipal de Estímulo à Cultura da  Secretaria Municipal de Cultura. Parceiros: secretarias municipais de Cultura, do Meio Ambiente, de Obras e Agricultura, Associação de Moradores do Presidente Geisel, José Augusto Marion (representante dos moradores), Centro de Valorização da Criança, Escola da Família e Jornal da Cidade.


    Mutirão 

    Por ser uma praça que busca o menor impacto ao meio ambiente, o projeto engloba uma nova concepção de escultura: a bioescultura, que que tenta utilizar materiais naturais na sua construção, como terra e bambu. Para isso, ocorrerá um mutirão de bioarquitetura nos dia 30 e 31 de maio, e também e nos dias 1e 2 de junho, das 9h às 17h na “Praça Val Rai”. Toda a comunidade está convidada para participar dessa construção coletiva.

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