Um incômodo doloroso que se inicia na região lombar, passa pelas nádegas e vai até a parte mais baixa de uma ou das duas pernas. Essa é a queixa mais presente entre pessoas que sofrem com a dor no nervo ciático.
Relatada geralmente como uma doença, na verdade a dor ciática é um sintoma, em 90% dos casos, da hérnia de disco, doença que acomete cerca de 5 milhões de brasileiros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os outros 10% podem ter outras causas, como atividades físicas pesadas, posturas erradas, tumores e fraturas na coluna.
Doença que ocorre pelo desgaste ou trauma dos discos vertebrais lombares ou cervicais, que acabam por apertar as raízes nervosas que passam próximas a eles, a hérnia de disco, quando permanece por longo tempo, interfere na qualidade de vida e limita atividades simples do dia-a-dia do portador. O problema, mais comum em pessoas entre 30 e 50 anos, acontece quando o disco intervertebral é enfraquecido ou sobrecarregado, rompendo as fibras que o constitui (anel fibroso) e fazendo com que o núcleo pulposo (material mucoide de cor esbranquiçada) ultrapasse seus limites.
Apesar de apresentar como sintomas o formigamento e dor na região do quadril, na maioria dos casos a hérnia de disco tem como principal sintoma o incômodo doloroso no nervo ciático, caracterizado pela dormência e fraqueza que correm para as pernas e dedos.
Fatores genéticos
A genética e envelhecimento, exercícios físicos intensos, praticados por profissionais ou atletas de finais de semana, também podem favorecer o aparecimento do problema. O diagnóstico, tanto da hérnia de disco como da dor ciática, é clínico e só pode ser feito pelo médico, que examinará o paciente, analisará seu quadro e, dependendo do caso, solicitará exames.
Quanto ao tratamento, 90% dos casos a doença é bem controlada com medicamentos (anti-inflamatórios, analgésicos e relaxantes musculares), fisioterapia e eventuais infiltrações. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, apenas os pacientes graves, que não apresentam melhora da dor com os tratamentos conservadores é que possuem indicação para a cirurgia.
Nestes casos, a técnica cirúrgica normalmente empregada é a minimamente invasiva, em que são feitos pequenos cortes na pele e no músculo, permitindo remover a hérnia com o auxílio de um microscópio e/ ou endoscópio.
Alguns pacientes podem necessitar de cirurgias maiores, mas, apenas a remoção da hérnia é suficiente, na extrema maioria dos casos, sem a necessidade do implante de parafusos. Em 95% dos casos a melhora é definitiva.
* Alexandre Elias é neurocirurgião de coluna, com foco em cirurgia minimamente invasiva, especialista pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), pela Sociedade Brasileira de Coluna Vertebral (SBC), mestre pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e research fellow em cirurgia da coluna vertebral na University of Arkansas for Medical Sciences (EUA).