Khalil Ashawi/Reuters |
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Nações Unidas estimam que pelo menos 80 mil pessoas já morreram no conflito da Síria |
Tropas sírias com apoio de militantes do Hezbollah lançaram ontem uma ofensiva para tomar dos rebeldes uma importante cidade perto do Líbano, nos combates mais intensos envolvendo o grupo armado libanês. A informação é de ativistas da oposição síria.
Pelo menos 32 pessoas morreram no conflito entre rebeldes sírios, tropas do governo e combatentes do Hezbollah em Qusair, a dez quilômetros da fronteira com o Líbano, segundo ativistas da oposição.
Falando de Qusair, o ativista Hadi Abdallah afirmou que aviões sírios bombardearam o local durante a manhã.
“O Exército está atacando Qusair do norte e do leste com tanques e artilharia, enquanto o Hezbollah dispara foguetes do sul e do oeste”, disse ele. “A maior parte dos mortos são civis.”
A região perto do rio Orontos ficou segregada entre vilas sunitas e xiitas na guerra civil síria.
É vital para o presidente da Síria, Bashar al-Assad, que é alauíta, manter aberta a rota dos redutos xiitas do Hezbollah no Líbano para áreas perto do litoral da Síria habitadas pelos alauítas.
Fontes da oposição dizem que a costa da Síria, numa potencial fragmentação do território sírio, poderia servir como um pequeno Estado alauíta, caso Assad perca Damasco.
No Líbano, fontes dizem que disparos dos rebeldes atingiram os limites da cidade de Hermel, um reduto do Hezbollah, grupo que tem o apoio do Irã, mas que não há relatos de vítimas.
Segundo a TV síria, o Exército está “liderando uma operação contra terroristas em Qusair”, e as tropas estão alcançando o centro da cidade.
As Nações Unidas estimam que pelo menos 80 mil pessoas já morreram no conflito da Síria, que começou com demonstrações pacíficas contra o regime de Assad.
Vazamento de armas
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu sinalizou ontem sobre a perspectiva de ataques israelenses dentro da Síria, comprometendo-se a agir para impedir que armas avançadas cheguem ao Hezbollah e outros grupos militantes.
Embora Israel não tenha tomado publicamente lados na guerra civil entre o presidente sírio, Bashar al-Assad, e os rebeldes que tentam derrubá-lo, fontes ocidentais e israelenses dizem que o país lançou ataques aéreos na Síria para destruir as armas que acreditava ser destinadas para o Hezbollah.
Em declarações públicas durante a reunião semanal de seu gabinete, Netanyahu não fez menção direta a esses ataques, mas disse que Israel estava preparada para agir no futuro e se “preparando para todos os cenários” no conflito sírio.
Israel tinha uma política “para evitar, tanto quanto possível, o vazamento de armas avançadas para o Hezbollah e elementos de terror”, disse ele. “Vamos agir para garantir o interesse na segurança dos cidadãos de Israel no futuro também.”
Tzipi Livni, membro do gabinete de segurança de Netanyahu e um ex-ministro das Relações Exteriores, disse: “Eu não acho que há alguém em Israel ansioso para agir” na Síria.
Em entrevista à Rádio do Exército de Israel, Livni também disse que os políticos israelenses devem evitar tomar partido.
“Israel não é popular na Síria. Portanto, tal declaração só poderia ser usada como munição por um dos lados para tentar desviar o debate ou a violência contra Israel -- e esta é a última coisa de que precisamos”, disse Livni.
Israel não confirmou nem negou que atacou mísseis fornecidos por iranianos armazenados perto de Damasco neste mês, os quais se acreditava que seriam entregues para o Hezbollah, que travou uma guerra com Israel em 2006 e é aliado Assad.
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