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Receitinha de bolo...

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

Estou como professor de matemática há algum tempo e a experiência da sala de aula possibilita vivência das mais interessantes. Certo dia, ao aplicar um trabalho em sala de aula, coloquei a seguintes questão aos alunos: - O que você faz ou pensa em fazer para que a sociedade seja melhor?

Em breves minutos levanta-se a mão de um dos alunos: - Professor, o que esta pergunta tem a ver com matemática? - Com matemática nada, com a vida tudo!

Estamos desacostumados a sair do comum. Quando algo foge um pouco ao convencional nossa posição costuma ser sempre de total surpresa. Como se a vida não nos surpreendesse todos os dias. Em outra sala de aula apliquei a mesma pergunta.

Depois de alguns minutos alguns alunos foram até a mesa onde eu estava. - Estamos com dúvidas na questão 6. Fui então verificar qual era a questão 6. Lá estava: O que você faz ou pensa em fazer para melhorar a sociedade?

Percebi que ficamos embaralhados com tudo aquilo que exige "fritar os miolos".

Óbvio que não somos incapazes de refletir sobre a vida que, diga-se de passagem, é muito mais ampla do que a matemática ou qualquer outra Ciência.

Todavia, estamos desacostumados a essas reflexões. Vivemos numa sociedade "receita de bolo" em que há respostas prontas para tudo. Tudo muito certo, só colocar no microondas e degustar. Livros ensinando como ser feliz, tornar-se um bom vendedor, fazer fortuna, ser conquistador... Respostas prontas, elaboradas por outros. Ou seja, os outros refletem por nós. Porém, fica a pergunta: E a nossa reflexão, onde fica?

A matemática, maravilhosa ciência, convida-nos ao raciocínio, todavia para crescermos como seres humanos é preciso também resolver as seguintes equações existenciais: Qual o meu objetivo de estar aqui neste mundo?

O que venho fazendo para transformar meu próprio mundo? São equações que escapam às fórmulas produzidas pelas mentes brilhantes que transitaram pelo mundo. Estas são equações que nos levam a descobertas profundas sobre nós mesmos.

Por isso constatamos: o que aprendemos nos bancos escolares deve servir de subsídio para as nossas reflexões íntimas.

Talvez, quem sabe, fugindo um
pouco do comum e questionando-nos sobre o papel que devemos desempenhar no mundo encontremos a tão sonhada fórmula da felicidade. Esta fórmula, claro, não está pronta.

Portanto, cabe a cada um encontrar a sua ao promover reflexões íntimas que fogem ao comum e ultrapassam a Matemática, Química, Física... Vale a pena pensar nisto!


O autor, Wellington Balbo, é colaborador de Opinião

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