Lembranças mil, me afloram à mente, Rua Batista de Carvalho, enquanto os moços ficavam de um lado da calçada, as moças passeavam no outro, trocando olhares, sempre em grupos, não tinha internet, não tinha celular, enfim, eram os tempos dourados, como se diz no conhecimento dos historiadores... E foi nessa época que conheci minha esposa Vera Lúcia, há 47 anos... E sendo o mais novo do grupo que era liderado pelo meu irmão Paulo Neves, Eneas, Juares da Silva, Waltinho I e II, Varjão, Picinelli, Tenuta e tantos outros, ficávamos nas proximidades do G Petisco, onde depois iríamos consumir uma pizza. A Tilibra, Casa Rasi, Louca dos Calçados, eram outros pontos onde dali avistávamos as meninas que passeavam sem "intenção nenhuma" de ver os rapazes...
Andando um pouco mais, na Rua Batista, de um lado havia o Lanches Fátima, do sr. Estevão Carvalho Pais, uma referência nas noites bauruenses, e do outro lado havia a empresa Casa Lusitana, que possuía, ou melhor, possui até hoje, um relógio, onde no seu vitral estava escrito o nome da empresa e como havia 12 letras, fazia referência aos números do relógio. Imponente pelas suas vitrines, era um magazine moderno que tinha uma estrutura, ou melhor, tem até hoje, uma concepção arquitetônica de ficar na história.
E sabíamos que se fosse perto das 22h poderíamos ir andando rápido para pegar o ônibus da Rua 15, num ponto quase em frente ao Automóvel Clube, pois não podíamos atrasar, que D. Celina, já estava na porta olhando se estávamos chegando... Às vezes, por ser o Paulo mais velho, ele abusava alguns minutos a mais, coisa que tinha o seu preço depois, um sermão da mamãe que não perdoava... E não tinha que discutir: era ouvir e ficar quieto sem reclamar...
E o relógio era referência para muitas pessoas, que aproveitavam o sábado ou domingo à noite para passear com seus filhos e ver as vitrines elegantíssimas da época. Outros que estavam na praça Rui Barbosa, na Igreja do Divino Espírito Santo, tinham nele uma referência de tempo, hoje está parado e sem funcionamento... Quanta tristeza, pois conforme disse, em reportagem, o JC sobre o relógio da Igreja Santa Terezinha, não seria o momento adequado para restaurar também o relógio da Casa Lusitana? Assim essa geração Y teria acesso a um relógio histórico que marcou tantos encontros e fatos dos bauruenses.
Professor especialista Carlos Alberto Alves Neves