Não é neutra, como não o é a educação. Se o fosse, a ditadura não seria tão célere em prender Paulo Freire e os que se debruçaram na realização da Educação Popular. Divulgou-se que o Brasil se tornaria inviável se prescindisse do trabalho escravo. A abolição (embora pela metade) provou o contrário. Aliás, há quem proclame que o Brasil só ganhou com a mão-de-obra dos imigrantes. Não defendo a xenofobia, mas é preciso reconhecer que os imigrantes ocuparam os postos de trabalho que seriam, por direito, prioritariamente dos escravos negros que, aliás, carregaram a pecha de vagabundos. Além disso, procedeu-se a uma onda de desmatamento e de eliminação de povos indígenas.
Nos últimos anos, tentou-se vender os supostos benefícios da "modernização" do trabalho, cunhando um novo termo reengenharia e austeridade. Não passando de manipulação para mascarar o assalto aos direitos das/os cidadãs/os, serve de escudo para garantir bônus exorbitantes que proporcionam, a uma minoria, uma existência nababesca a custa do empobrecimento de multidões. As chamadas agências de classificação e, mais recentemente, as que se arrogam a capacidade de determinar os "riscos", só erraram mas, continuam arrogantemente profetizando lucros e perdas, assombrando os incautos.
Na tentativa de forçar o aumento das taxas de juros, foi amplamente divulgado o perigo do fantasma da inflação. Houve quem tenha perdido milhões apostando no aumento da selic em 0,75%. No Dia do Trabalhador, movimentos sociais, entidades civis e sindicatos, uniram-se para lançar uma ampla coleta de assinaturas pelo Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela democratização dos Meios de Comunicação Social. Cada vez que se denuncia o monopólio, desaba uma enxurrada de impropérios: "atentado contra a liberdade de imprensa". Uma simples questão de aritmética: quanto maior o número de comunicadores sociais, maior democracia, mais diversidade; quanto mais concentrados os veículos de comunicação, menor possibilidade de liberdade.
Os oligopólios são típicos de sociedades em que a liberdade é restrita. Jornalistas e repórteres, acossados por seus patrões, são levados a defendê-los, em nome da liberdade de imprensa. A história tem revelado que, quanto mais se fala em liberdade, menos dela usufruímos, principalmente nós, mulheres, que fomos caladas. Numa sociedade democrática, manifestações dos vários atores sociais devem ser garantidas. É o que impedem os oligopólios. Sabemos a que chegamos: as notícias têm sido geradas quase que por uma única agência, principalmente as televisivas. Pode-se trocar de canal: as notícias são as mesmas, até a sequência. Mulheres são tratadas como mercadoria. Urge uma reação.
Iolanda Toshie Ide