A Síria já recebeu a primeira remessa de um sistema avançado de defesa aérea russo e, em breve, deve chegar o restante do sistema S-300 de mísseis, disse um jornal libanês citando o presidente sírio Bashar al-Assad.
“A Síria recebeu o primeiro carregamento de foguetes S-300 russos anti-aéreos”, disse Assad, segundo o jornal libanês al-Akhbar, em uma entrevista. “O resto da expedição chegará em breve.”
A Rússia disse que iria entregar o sistema de mísseis para o governo sírio mesmo com objeções ocidentais, dizendo que o movimento ajudaria a estabilizar o equilíbrio na região.
Os Estados Unidos, França e Israel pediram à Rússia que pare de entrega os mísseis.
Uma entrevista com Assad será divulgada ontem em Al Manar, um canal de televisão ligado ao aliado de Assad, o grupo Hezbollah.
Não renunciará
Bashar al-Assad, assegurou ontem que não renunciará a seus poderes, como exige a oposição, e, que se o povo desejar, se apresentará à reeleição em 2014.
“Esta questão será decidida no momento oportuno (...) Se eu sentir que há uma necessidade de me candidatar, e isso será decidido depois de consultar o povo, não hesitarei em fazê-lo”, declarou o ditador, que enfrenta uma rebelião desde março de 2011.
Em entrevista transmitida hoje pela rede de televisão libanesa Al- Manar, Assad rejeitou a abordagem da oposição e seus aliados de “um governo interino com um presidente que não desempenhe nenhum papel”, um dos assuntos que serão tratados na Conferência de Genebra, que, segundo o presidente, tem “uma grande probabilidade de fracassar”.
Assad afirmou também que existe na Síria “uma verdadeira pressão popular” para a abertura de uma frente nas Colinas de Golã contra Israel, que ocupa a região desde 1967.
“Há uma pressão popular clara para abrir a frente de resistência (contra Israel) em Golã (...) Há vários fatores, (incluindo) as repetidas agressões israelenses”, disse o ditador na entrevista.
A repressão às manifestações desencadeadas em meio à Primavera Árabe transformou a onda de contestação na Síria em um conflito armado que já deixou mais de 94 mil mortos, segundo uma ONG do país.