Fotos: Divulgação |
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Benedito de Oliveira na nova casa |
Graças à mobilização de um munícipe e ao empenho de vereadores e de uma entidade assistencial de Garça (70 quilômetros de Bauru), um carroceiro de 62 anos, que vivia em condições sub-humanas num barraco improvisado em um buraco ao lado da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da cidade, ganhou na semana passada um novo lar na chamada Vila I da Terceira Idade.
A situação enfrentada por Benedito de Oliveira Bonfim, conhecido como “Dito”, na sua antiga moradia, no final da rua São Carlos, no bairro Guanabara, chamou a atenção de um morador da cidade, Aridelson Martins, que publicou fotos do local em uma rede de relacionamentos na Internet com o objetivo de sensibilizar as autoridades.
No buraco onde o carroceiro ergueu seu lar, não
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O carroceiro vivia em condições precárias próximo da ETE de Garça |
havia energia elétrica. Até alguns anos atrás, ele também bebia água de uma bica, problema solucionado depois que conseguiu pagar por uma ligação de água. Para dormir, Bonfim dividia espaço com o lixo. Segundo ele, três cobras já foram mortas no local.
O caso chegou ao conhecimento da Câmara e, no final de abril, o parlamentar Júlio Cezar Kemp Marcondes de Moura (PP) protocolou requerimento, assinado por outros dez vereadores, solicitando à prefeitura informações sobre o fato denunciado pelo munícipe e providências adotadas para resolver a situação.
Na última quinta-feira, graças ao empenho do Departamento da Terceira Idade da entidade “Serviço de Obras Sociais (SOS) de Garça”, o carroceiro ganhou um novo lar na Vila I da Terceira Idade. De acordo com o vereador e presidente da entidade filantrópica, Adamir Maurício de Barros, ele está em processo de adaptação.
“A situação dele era muito crítica. Ele tomava banho com canequinha, não tinha luz”, conta. “E nós entregamos a casa mobiliada para ele, com cama decente, televisão com controle remoto, fogão, geladeira. Além disso, nós pagamos um restaurante, que fez um preço bom para a entidade e, durante trinta dias, que é o tempo para ele se adaptar ao local, ele vai ter a refeição desse restaurante”.
Durante esse período, segundo Barros, voluntários da entidade vão orientar Bonfim sobre como cuidar da limpeza da casa e preparar a sua própria refeição. “As pessoas que moram nessa vila ajudam umas às outras, são todas amigas. Eu costumo falar que lá é o paraíso”, diz.
O projeto
O Projeto Vila da Terceira Idade existe há treze anos em Garça e foi idealizado pelo Serviço de Obras Sociais (SOS) da cidade, através do Departamento da Terceira Idade, com objetivo de garantir uma moradia digna a senhores e senhoras carentes que não têm casa própria ou condições de pagar aluguel.
“A preocupação que os idosos têm, além da comida, é a habitação. E eles viviam constantemente ameaçados por não terem condições de pagar o aluguel, ganhando um salário mínimo. Alguns viviam como nômades”, declara o vereador e presidente da SOS, Adamir Maurício de Barros.
O terreno para construir as moradias foi doado pela prefeitura. Hoje, são 11 imóveis na Vila I, onde vivem 18 idosos, e quatro na Vila II. Uma quinta casa está sendo construída e deve ficar pronta em breve. “A casa é da entidade e eles ficam lá enquanto viverem”, explica. “Eles não pagam aluguel, só pagam a energia e o consumo de água deles”.
Para ser contemplado com uma residência, o escolhido precisa passar por entrevista prévia com a psicóloga chefe do Departamento de Saúde da SOS. A entidade, fundada há mais de 40 anos, possui ônibus e sede próprios, com ginásio de esportes, piscina e salão de baile, e não recebe subvenção municipal.
História de vida
Benedito de Oliveira Bonfim nasceu em uma fazenda na cidade de Álvaro de Carvalho, mas mudou-se para Garça aos 15 anos. Além da trabalhar na colheita de café, atuou como pedreiro e carroceiro. Chegou a casar-se e teve filhos, mas foi abandonado pela mulher, que mudou-se para a cidade de Americana.
Antes de construir um barraco ao lado da ETE, Bonfim morou de aluguel numa casa e, durante algum tempo, em uma tulha de café. Depois que essa tulha foi derrubada, ele não teve outra opção a não ser conversar com o dono do terreno, que lhe autorizou a morar no local.

