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Árvores escondem usuários de crack

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

As artimanhas dos usuários de entorpecentes e traficantes para driblar as ações da Polícia Militar (PM) são muitas, porém, uma delas chama a atenção. Na Vila Tecnológica, em Bauru, usuários de crack se escondem nas copas das árvores para consumir o entorpecente, o que vem assustando os moradores de uma rua. Na noite da última terça-feira, uma jovem de 24 anos teve seu carro furtado neste local.

Quioshi Goto

Árvores escondem usuários de crack

No boletim de ocorrência, a vítima (a identidade foi mantida em sigilo a pedido da família) relatou que chegou em casa com seu automóvel e o estacionou em frente ao portão, deixando o veículo em funcionamento.

Quando ela se dirigiu ao portão do imóvel e olhou para o carro, notou que um homem estava no banco do motorista. O assaltante acelerou o carro, chegando a colidir com uma árvore, e fugiu, levando também a bolsa da jovem com documentos e talão de cheques. De acordo com a família da vítima, o veículo furtado foi encontrado próximo à residência na manhã de quarta-feira, sem as placas e os pertences da jovem.

O que chamou a atenção no boletim de ocorrência foi a informação de que a vítima acredita que o autor do furto seja usuário de entorpecente e more perto de sua casa. No registro policial ela afirmou que é comum os viciados se esconderem nas copas das árvores e assustar a população.

A reportagem do JC esteve no local e conversou com moradores da rua, inclusive a família da vítima, que relataram o problema. “Há cerca de um ano esses usuários de drogas começaram a frequentar a rua. Acho que eles moram em um prédio nas proximidades. Estamos com muito medo porque eles ficam escondidos nas copas das árvores esperando quando passamos”, disse a irmã da vítima, de 29 anos.

Novidade

A mãe da jovem teme pela segurança da família e de outros moradores, já que as árvores se tornaram esconderijos. “Pela forma com que aconteceu o furto, o rapaz já devia estar escondido, esperando a minha filha chegar. Precisamos que a prefeitura faça a poda ou até retire algumas árvores, se for possível, e que a PM faça mais patrulhamento, para evitar esse tipo de ação”, queixou-se.

A irmã da jovem de 24 anos acrescentou ainda que, há pouco mais de uma semana, foi surpreendida por um homem quando chegava em sua casa. “Minha mãe desceu do carro para abrir o portão e, quando eu vi o homem, ele já estava na janela do meu carro. Ele pediu dinheiro, eu dei, assustada, e entramos na casa rapidamente”.

A costureira, de 51 anos, também moradora do bairro, se queixa dos usuários de entorpecentes e confirma o fato de que eles se escondem nas copas das árvores. “Isso acontece há quase um ano. É um absurdo. Eles se escondem nas árvores, usam a droga qualquer hora do dia e o cheiro até nos incomoda porque entra em nossas casas. Tememos pela nossa segurança porque isso acaba atraindo muitas pessoas estranhas para o bairro.”

A servente aposentada, de 60 anos, conta que, além do consumo de drogas, também há o comércio. Os esconderijos sempre são as próprias árvores. “Eles usam maconha, crack e até cocaína.”

Solução?

Ao ser informado do problema pela reportagem, o capitão Alan Terra, oficial de relações públicas do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), ficou surpreso. “A Polícia Militar sempre realiza patrulhamento e até operações constantes nesse bairro, principalmente na avenida Lúcio Luciano. É novo o fato dos usuários de drogas ficarem escondidos nas copas das árvores. O comando da Base Sudeste afirmou que o patrulhamento em toda aquela região foi intensificado e os policiais foram orientados a iluminar as copas das árvores, com o objetivo de encontrar esses indivíduos”, afirmou.

De acordo com o capitão Alan Terra, alguns traficantes foram procurados nesses últimos dias, porém, não houve nenhuma prisão em flagrante. “Por isso pedimos que a população denuncie ao 190. É rápido, não é preciso se identificar”, finalizou.

Como as árvores também são parte do problema, os moradores pedem a poda ou até a retirada de algumas delas. Em resposta aos questionamentos feitos pela reportagem, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) informou, em nota, que fará uma vistoria no local para verificar qual o melhor procedimento a ser adotado.


‘Cartão Recomeço’ inclui Bauru

Recentemente o JC noticiou que Bauru é uma das 11 cidades do interior paulista que foi contemplada com o programa Cartão Recomeço, que ficou apelidado como Bolsa Crack. Criada pelo governo do Estado, a iniciativa visa o acolhimento social voluntário para a reabilitação de pessoas usuárias de substâncias psicoativas e a promoção de sua reintegração à vida comunitária.

No dia 21 de maio foi publicado, no Diário Oficial do Estado, o edital de chamamento público para as entidades interessadas em aderir ao programa. A secretária do Bem-Estar Social de Bauru, Darlene Tendolo, afirmou ontem que o prefeito Rodrigo Agostinho já fez o aceite da iniciativa e o município deve reunir as entidades Bom Pastor, Esquadrão da Vida e Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) nesta semana.

“Podem fazer parte do Cartão Recomeço as comunidades terapêuticas, casas de passagem, moradia assistida e república, desde que estejam devidamente cadastradas na Sebes. Como essas três entidades já fazem o trabalho de casas de passagem, nós faremos o contato. A Sebes será a ponte que ligará as entidades ao Estado. Vamos dar toda a orientação necessária para que elas participem do programa”, disse.

As entidades enviarão a documentação e passarão por vistoria. As escolhidas receberão R$ 1.350,00 mensais por usuário, tendo o tratamento no local em período máximo de 180 dias, considerado por especialistas o tempo adequado para a recuperação do dependente.

Inicialmente serão 3 mil vagas distribuídas em 11 regiões do Estado: Diadema, Sorocaba, Campinas, Bauru, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, São José dos Campos, Osasco, Santos e Mogi das Cruzes. O número de vagas reservadas em cada entidade será definido pelo Grupo Gestor do Programa Recomeço, com base na demanda regional. Uma vez definidas as entidades, os serviços de saúde das prefeituras das cidades escolhidas farão o cadastramento e o direcionamento dos usuários.

 

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