Em 2011, quando a Liga Nacional de Basquete (LNB) resolveu alterar o formato da final do Novo Basquete Brasil (NBB) do playoff em melhor de cinco jogos para decisão em jogo único, os amantes do esporte da bola laranja contestaram. A mudança tinha um objetivo: permitir que a grande final pudesse ser exibida ao vivo pela Rede Globo de Televisão, detentora dos direitos de transmissão do campeonato.
Porém, nos dois anos com o novo modelo, os índices de audiência da emissora, que é líder geral da TV brasileira, ficaram abaixo das concorrentes no horário do jogo. Mais do que isso, a audiência neste ano foi menor do que em 2012, perdendo novamente para desenhos do SBT e para a Record (veja quadro abaixo). Vários clubes, ainda que de maneira velada, já se mobilizam para que o sistema de jogo único seja vetado.
O presidente da Liga Nacional, Cássio Roque, confirma que o assunto será discutido pela entidade em uma reunião, ainda neste mês. “Vamos ter uma reunião com o Conselho da Liga e com a Globo, quando discutiremos os números da audiência, avaliando o que é melhor para a próxima temporada, se é manter jogo único, ou voltar aos playoffs”, cita.
Quadrangular
Uma das possibilidades levantadas é que o playoff seja em melhor de três jogos. Outra ideia, que ganha força dentro da LNB, é um quadrangular final, envolvendo os quatro semifinalistas, que jogariam entre si para definir o campeão. “Tecnicamente falando, o jogo único não é o ideal. Quando tomamos esta decisão, em 2011, foi pelo aspecto financeiro, agora vamos nos reunir para ver como será na sequência. Vamos tentar também ter mais jogos do campeonato na TV aberta”, explica Roque. “Existe uma boa possibilidade de mudar”, acrescenta.
Desta maneira, a final do principal campeonato do País pode voltar ao tradicional sistema de playoffs, que em outros países chegam a até sete jogos, como na NBA e na Liga Argentina, por exemplo. O regulamento do NBB 2013/14 será divulgado em julho, já com a definição do sistema da final.
“Estamos em processo de desenvolvimento da parceria, visando um desenvolvimento sólido, comercial e esportivo da modalidade”, comentou a Rede Globo, através do seu Departamento de Comunicação.
E Bauru...
Diretor técnico do Paschoalotto/Bauru, Vitor Jacob, que também faz parte da direção da Liga Nacional, ainda não tem uma posição definitiva sobre o assunto. “Isso está sendo discutido pela Liga, entre outros tantos assuntos. Tecnicamente é melhor playoff, claro, mas comercialmente depende. Não tem nada fechado para o ano que vem, pode voltar a cinco jogos, mas para ter TV aberta precisa de data fixa. Um quadrangular é uma possibilidade também”, comenta Jacob, sem declarar qual a preferência do Bauru – até porque o clube não tem direito a voto no Conselho, apenas em uma eventual assembleia.
Guerrinha: ‘Sou a favor dos playoffs’
O técnico Guerrinha, do Paschoalotto/Bauru, demonstrou ser favorável à final em melhor de cinco jogos.
“Tecnicamente, um playoff em cinco jogos é o ideal. A equipe mais bem preparada leva vantagem. Agora, em um jogo só, não tem tanto desgaste, pode promover mais, tem a possibilidade da TV aberta, mas você tem menos controle do jogo. Em uma melhor de cinco, você tem mais chances de ter regularidade, eu sou a favor da melhor de cinco, mas vamos respeitar o que a Liga decidir”, detalha o treinador.
Opinião da crônica
'Final em jogo único é uma aberração do ponto de vista técnico, e agora está comprovado que, sob o aspecto financeiro, não se justifica. É um equívoco achar que é a TV que vai massificar o esporte no Brasil, quem leva o público durante o campeonato é a imprensa local, que faz o dia a dia dos clubes'
Rafael Antônio Mainini - Narrador dos jogos do Bauru na Rádio Auri-Verde e Jornada Esportiva
'O ideal seria um playoff em três jogos, com a última partida na casa do time de melhor campanha. Mas as equipes não podem reclamar do jogo único, pois aceitaram isso antes do campeonato'
Leonardo de Brito - Colunista, ex-editor do JC e correspondente da Revista Placar no Interior na década de 80
'Não concordo com final em jogo único. O melhor modelo para ter TV seria playoff com três jogos, o primeiro na pior campanha, o segundo na melhor e o terceiro, se necessário, em quadra neutra. E a imprensa local precisa ser valorizada, é a gente que leva nas costas o ano inteiro'
Jovassi Correia Dias - Narrador de basquete há 51 anos, atualmente na Rádio Franca do Imperador
'Determinar que a final seja em jogo único vai contra a ideia de promover o esporte. Basquete não se resolve em um único jogo. Não adianta querer comparar com futebol. Cada um tem seu espaço, cada qual com sua fórmula de disputa. Daqui a pouco vamos fazer valer cestas fora de casa, abolir a prorrogação e decidir tudo numa 'emocionante' disputa de enterradas'
Neto del Hoyo - Editor de Esportes do JC