Regional

?Orígenes Lessa? virou referência

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Com um acervo de 120 mil títulos, a biblioteca Orígenes Lessa é referência na região de Bauru e no Interior de São Paulo, onde é considerada uma das maiores. O nascimento do jornalista, contista, novelista, ensaísta e publicitário em 1903 mudou o curso da história da cidade. Foi através de Orígenes Lessa que Lençóis Paulista ficou conhecida como a Cidade do Livro.

Famoso nacional e internacionalmente, Lessa ocupou uma cadeira na Academia Brasileira de Letras e seu envolvimento com grandes nomes da literatura, como Jorge Amado, Dias Gomes e tantos outros, garantiu doações significativas, comenta o diretor municipal de Cultura, Nilceu Bernardo.

“Ele tinha muito orgulho de ter nascido em Lençóis. Visitava a cidade constantemente. A amizade dele com acadêmicos estimulou as doações de vários acervos, publicações, biografias. Nossa biblioteca tem 52 anos e está dividida por assuntos. Temos uma Sala dos Autografados contendo em torno de 3 mil livros entre autografados e aqueles que têm dedicatória para a biblioteca. Lessa também foi um grande nome da propaganda no Brasil. Ele foi o  criador da marca Kibon.”

Doação esperada

Atualmente, Bernardo conta que está aguardando o acervo de Ivan Lessa, filho de Orígenes, que morreu no ano passado e manifestou para a mulher dele a vontade de doar parte de seu acervo para a biblioteca que leva o nome de seu pai.

“A viúva está fazendo uma seleção. Ele viveu mais de 30 anos fora do Brasil. Participou de movimentos junto com Ziraldo, do Pasquim. Provavelmente, virão livros de sua leitura que influenciaram no seu estudo, ideologia. Tem ainda correspondências dele com outros escritores e personalidades que virão para a biblioteca.”

A biblioteca fundada em 1961 começou em um tradicional clube da cidade. Depois ocupou a praça principal da cidade, onde está até hoje. “Começou no primeiro piso onde temos a área circulante e de consulta. O segundo piso da biblioteca, que nós chamamos de museu do livro, abriga as publicações de 1900 a 1960.”

Para manter a biblioteca atualizada, a prefeitura investe anualmente cerca de R$ 50 mil na aquisição de livros. “Fazemos uma compra expressiva duas vezes por ano. Temos o que se chamamos de acervo participativo. O usuário que pretende ler um livro que ainda não possui no acervo indica e nós adquirimos. São cerca de 100 indicações.”


Extensão da biblioteca

O espaço cultural Cidade do Livro é um local que abriga os eventos maiores na área de literatura, música, teatro, dança, palestras, lançamento de livros, exposições. O acervo de livros raros e especiais fica nesse espaço da Biblioteca Orígenes Lessa, assim como a área de limpeza, conservação e pequenos reparos nesses livros.

“Nós temos um cuidado especial para acondicionamento dos mais antigos. Usamos caixas especiais, colas neutras para mantê-los conservados”, diz o diretor municipal de Cultura, Nilceu Bernardo.

As correspondências de Orígenes Lessa com outros escritores têm lugar reservado no Espaço Cultural.

“Tem uma série grande de correspondência de Lessa com outros escritores, documentos, figuras, ilustrações, gravuras, periódicos, principalmente do século passado até a década de 70, 80. Temos documentos antigos e um livro, o mais antigo de 1530. Alguns títulos que estão em língua estrangeira, espanhol, italiano e francês, o que aguça a curiosidade de tradutores e pesquisadores.”

A biblioteca tem ainda uma cota de conservação extra para encadernação e capa dura dos livros especiais e daqueles mais procurados.

“Estamos magnetizando os livros. Todos eles  estão recebendo fitas magnéticas e terá um sensor na saída da biblioteca que emitirá sinal se o livro estiver saindo sem cadastro”, explica Nilceu Bernardo.


Área será triplicada

De acordo com o diretor de Cultura de Lençóis Paulista, Nilceu Bernardo, a Biblioteca Orígenes Lessa terá sua área triplicada. “A área de consulta e leitura está em fase de ampliação. Vamos contar ainda com uma varanda externa no piso superior onde teremos um mobiliário de jardim com poltronas para abrigar um café. As obras começaram em dezembro. Vamos instalar elevador para facilitar a acessibilidade. Tem escadas com rampas.”

Na opinião dele, aos poucos são acrescentados itens que possam tornar a leitura cada vez mais prazerosa. “Estamos acrescentando. Por ano, recebemos cerca de 6 mil doações. Fazemos uma triagem. Temos duas salas permanentes de troca. Livros duplicados vão para área de troca, em vários momentos do ano realizamos trocas de livros. Esse movimento é interessante. A biblioteca conta com um terminal para consulta no local. Pretendemos que as pessoas façam pela Internet, em breve.”

Mas é no Festival do Livro, evento realizado anualmente em junho, este ano agendado para o período compreendido entre os dias 17 a 28, que a troca de livros é incrementada.

“Teremos a troca na tenda das livrarias. Ações que estimulam a leitura. São 11 dias em que acontece, em tom de festa, eventos musicais, teatrais, contação de histórias. A expectativa é receber em torno de 15 mil pessoas. É o nosso maior evento cultural na cidade.”

Comentários

Comentários