Ao observar a escola atual, é possível identificar diversas falhas para atender à diversidade. As lacunas existentes vão desde a estrutura física até às relações sociais advindas em cada contexto/realidade.
Não é possível aceitar uma inclusão social parcial. Não é possível aceitar que as relações humanas aconteçam através de interesses pessoais sem nos ater para o bem comum. Fazemos parte do bem comum e o bem comum faz parte de nós. Não digo que devemos deixar de lado o interesse pessoal, mas sim que não podemos deixar de olhar com austeridade para conseguirmos atingir nossas pretensões individuais.
O que quero dizer com isso? Simplesmente que olhar para o próximo precisa ser valorizado diante de tanta diversidade. A fragilidade e a inconstância das relações humanas encontra, hoje, conflitos que geram manifestações de grupos minoritários, porém vivemos em guetos que não aceitam a diferença. Ou melhor, não damos valor para o diferente, para a forma de manifestação distinta do ser humano, para o agir diferente, para a cor da pele, para aquele que anda ou não, para o que se desenvolve mais lentamente, enfim, para aquele que é diferente de nós.
A escola hoje é esse gueto. Ela ainda tende a normalização e não encontra sustentação teórica e prática para desenvolver trabalhos inclusivos. INCLUIR não é apenas colocar e inserir, mas respeitar as diferenças e desenvolver projetos (que buscam a resolver problemas) que visem a inclusão já.
Precisamos de pesquisas e projetos diretivos. Não quero dizer que não existam, pois existem e saúdo a todos que trabalham pela educação inclusiva. Entretanto, eles ainda não são suficientes. A diversidade brasileira anseia por respeito e valorização. A escola anseia por respostas que já estão lá, só basta olharmos para elas e encontrá-las.
Certa vez, um aluno de 3 anos não desistiu de seu amigo com Síndrome de Down. Ele insistiu até que conseguisse interagir com o coleguinha. O preconceito está no adulto. Temos muito o que aprender com as crianças. Precisamos cuidar e olhar melhor para elas. Elas nos ensinam muito! Parabéns aos guerreiros do dia a dia que superam suas limitações e mostram que são capazes.
Queridos amigos da escola atual. Não deixem de olhar para aqueles que achamos que vão contra ao padrão de normalidade. Eles provam a cada dia que podem, atingindo e superando suas limitações. Vamos lutar por melhorias estruturais nas escolas.
Nossa formação, ó professores, tende à diversidade. A inclusão existe e ela é construída primeiramente dentro de nós!
Professora mestre Lívia Leme