O governo americano confirmou ontem ter informações de que as tropas do ditador da Síria, Bashar al-Assad, utilizaram armas químicas contra os rebeldes no país. Em um comunicado assinado por Ben Rhodes, vice-conselheiro de Segurança Nacional e um dos mais próximos assessores do presidente Barack Obama, o governo diz que “a comunidade de inteligência confirmou que o gás sarin foi usado em pequena escala contra a oposição diversas vezes” e que cerca de “100 a 150 pessoas morreram nesses ataques”.
Em agosto do ano passado, o presidente americano tinha dito que o uso de armas químicas representaria a “linha vermelha” que causaria uma entrada dos EUA no conflito - mas sem especificar que tipo de ação seria tomada.
Em abril deste ano, Obama afirmou que havia informações de que gás sarin havia sido usado no conflito, mas não se sabia em que circunstâncias nem por quem.
Tanto os governos da França como do Reino Unido já tinham dito anteriormente que tinham informação segura do uso de armas químicas.
Segundo as Nações Unidas, 93 mil pessoas já morreram na guerra civil síria desde o início do conflito, em 2011.
Governo dividido
O governo americano ainda está bastante dividido quanto a uma intervenção na Síria. De um lado, pesquisas de opinião, lidas atentamente por Obama, apontam que mais de 60% dos americanos se opõem à intervenção militar e mais da metade pede apenas ajuda humanitária.
De outro, vários assessores próximos - inclusive a nova conselheira de Segurança Nacional, Susan Rice, que toma posse no mês que vem - seriam mais favoráveis a uma intervenção militar no país.
Tanto democratas quanto republicanos têm criticado Obama pela inação. O ex-presidente Bill Clinton, colega de partido do atual presidente, sugeriu na segunda-feira uma intervenção “mais robusta”.
“Às vezes, é melhor ser pego tentando. Tem gente que diz ‘olha que bagunça, fique fora disso, mas acho que isso é um grande erro”, afirmou.
“Se você não se mexe, acontece uma calamidade, não dá para se desculpar dizendo que 80% diziam em pesquisas que eram contra. Você vai parecer um tolo total”, acrescentou Clinton.
O senador republicano John McCain, vencido por Obama na eleição presidencial de 2008, disse que a Casa Branca permitia “um banho de sangue” na Síria sem tomar atitude. “Onde está a liderança americana?”, criticou.
Segundo o “New York Times”, reunião ontem entre o presidente e os principais assessores de segurança terminou sem uma conclusão. Aliados americanos no Oriente Médio, como Arábia Saudita e Jordânia, estariam reclamando da inação.
O caso ocorre no momento em que Obama enfrenta acusações de monitorar telefonemas e sites de internet. Um ataque à Síria poderia mudar o foco da imprensa e de adversários.