Cultura

Engenheiro para sempre

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação

.. Humberto Gessinger pegou o caminho de volta a Bauru, onde faz show hoje

“Neste sábado volto a Bauru depois de 1989, 1992, 1996, 1997, 2001, 2003, 2005 e 2006. Quem foi? Quem vai?”. Foi criando essa expectativa, e também meio que “convocando” os fãs e admiradores de seu trabalho, que o “ex-engenheiro” Humberto Gessinger se manifestou em seu blog sobre a apresentação que fará hoje no Alameda Quality Center, a partir das 22h, como uma das grandes atrações da primeira edição do Harley-Davidson Show.

Sinal que ele se lembra muito bem dos shows que fez por aqui. A ponto de dizer que “sente falta” da receptividade do público do interior de São Paulo, especialmente o bauruense, que aprendeu a admirar pelo conhecimento detalhado de sua carreira.

Em entrevista ao JC, o quase “cinquentão” Gessinger - completará 50 anos em dezembro deste ano - recorda dos shows anteriores em Bauru, detalha como será sua apresentação de hoje à noite no Alameda, fala de seu novo disco “Insular” e faz uma revelação: o Engenheiros do Hawaii pode voltar (mas não tão logo!)

JC - O que ficou marcado dos shows em Bauru?

Gessinger - Sempre foram shows bem bacanas no interior de São Paulo. É um público muito atento e que sempre acompanhou de perto minha carreira. Com o Pouca Vogal toquei pouco nessa região e sinto falta. Será um reencontro. Mas em geral foram muito bacanas aí em Bauru, com um público muito bacana, bem receptivo e caloroso. Um público esperto no sentido de conhecer as canções menos conhecidas. Sentia uma atenção muito especial.

JC - E como será o show de hoje?

Gessinger - Estou finalizando a gravação de um disco chamado Insular, que sairá daqui uns 40 dias, e vou tocar apenas duas canções dele. Estou esperando ele sair para tocar mais. O show é um apanhado geral de minha carreira. Terá músicas do Engenheiros do Hawaii, Gessinger Trio e Pouca Vogal bem distribuídas em todas as fases da minha carreira. E a banda é o Power Trio: eu, o Rafael Bisogno na bateria e o Rodrigo Tavares na guitarra.

JC - Quais as duas músicas do Insular que você apresentará?

Gessinger - Uma se chama Tudo Está Parado, que é uma parceria com o pessoal do Jota Quest, e outra é a Tchau Radar, que fiz com o Rodrigo. Toco essas duas porque eles já as lançaram em disco. As outras estou guardando para o público conhecer através do disco antes de tocá-las em shows.

JC - Quais as “carimbadas” do Engenheiros que você tocará aqui?

Gessinger - Infinita Highway, Refrão de Bolero, Piano Bar, Ninguém é Igual a Ninguém, Toda Forma de Poder, Pra Ser Sincero, O Exército de Um Homem Só e Era um Garoto.

JC - O que o Insular acrescenta em sua carreira?

Gessinger - Quando comecei a juntar as canções, não sabia muito bem sobre que formato elas sairiam, se seria Engenheiros, Pouca Vogal. Nunca passou pela minha cabeça que fosse um disco solo. Mas, à medida que fui trabalhando, senti que ele pedia vários ambientes e muitos convidados. Por isso resolvi lançar como um solo, porque não é um disco gravado com um banda fixa. Com a Engenheiros, apesar das várias formações, cada disco era gravado com uma banda fixa e caíamos na estrada. E o Insular tem isso de diferente. Convidei muitos músicos antigos da música gaúcha, de várias vertentes, do tradicionalismo ao rock’n’ roll. Tem duas participações de duas formações do Engenheiros, a do pessoal que me acompanhou de 1996 a 2001, e a que me acompanhou de 2001 a 2006. Cada um gravou uma faixa. Nesse sentido o Insular é muito diferente da minha carreira.

JC - Em 2008, você falou que o Engenheiros estava dando uma “pausa”. Isso significa que o grupo pode voltar?

Gessinger - Pode sim, mas não nos próximos três anos em que estarei focado nesse trabalho do Insular, mas pode voltar sim. Tudo depende de fazer a música. Agora no Insular, quando comecei a compor, era bem possível que eu voltasse com o Engenheiros, mas o disco foi tomando outro caminho com os convidados. Mas isso não é questão fechada. Mas nos três próximos anos vou focar no Insular e na carreira solo.

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