Esportes

Atlético-MG: perto do topo

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 6 min

Integrante do elenco do Atlético Mineiro que está na semifinal da Taça Libertadores da América, o goleiro bauruense Giovanni esteve na cidade no final da última semana para acompanhar o casamento do irmão Giorge e também para falar com os alunos da escolinha “Talentos 10”, onde é um dos entusiastas. Campeão mineiro em 2012 e 2013 com o Galo, Giovanni acabou ficando na reserva após a chegada de Victor, no Brasileirão do ano passado, mas atuou em várias partidas do título mineiro nesta temporada, sendo o reserva imediato na Libertadores, onde vive a expectativa de conquistar a América junto com os companheiros de equipe.

Aos 26 anos, o jogador sonha em atuar no futebol europeu e já vem ajudando a revelar novos talentos em Bauru. Entre um autógrafo e outro para os garotos da escolinha que acompanhavam uma apresentação na última quinta-feira, Giovanni atendeu a equipe do JC. Confira os principais trechos da entrevista.

 

Jornal da Cidade – Você é bauruense, mas saiu cedo, nem passou pelo Noroeste...

Giovanni – Realmente, saí cedo e praticamente fui direto para o Marília. Passei por alguns clubes para pegar experiência, mas minha base foi mesmo no Marília, fui para a Ponte Preta, Grêmio Prudente, e desde 2011, estou no Atlético Mineiro.

 

JC – Como foi esta evolução após quase três anos no Atlético?

Giovanni – Quando a gente chega em um clube grande, tudo é novidade. Aos poucos fui me adaptando, e hoje estou bem lá, e espero continuar desenvolvendo bem meu futebol nesses dois anos e meio de contrato que ainda tenho lá.

 

JC – Você atua ao lado de jogadores que estão se destacando, como o Bernard e o próprio Ronaldinho Gaúcho, que já foi o melhor do mundo. Como é no dia a dia?

Giovanni – Em relação ao Ronaldinho, é legal, a gente cresceu vendo ele na televisão, no videogame, então é muito gratificante jogar ao lado de um jogador como ele, que já foi eleito duas vezes o melhor do mundo, já foi campeão mundial. E o Bernard é um menino que estourou agora, veio da base e está indo muito bem, é um cara tranquilo também no dia a dia.

 

JC – E o Cuca (técnico do Atlético), como é a convivência diária?

Giovanni – O Cuca é um treinador sério, um excepcional profissional. O que ele fez desde 2011, quando pegou o Atlético na zona de rebaixamento e conseguimos escapar, depois no ano passado o vice-campeonato brasileiro e os dois títulos mineiros (2012 e 2013), acho que isso já resume bem o trabalho dele, dispensa comentários a competência do Cuca. Todos ali dentro o respeitam.

 

JC – Falando em Libertadores, o foco de vocês agora é a semifinal. E a classificação veio justamente com uma defesa do seu colega de posição, Victor...

Giovanni – Pois é, mata-mata é muito diferente da primeira fase, quando ficamos em primeiro lugar, depois a maneira como passamos pelo São Paulo, você vai enfrentar um time mexicano teoricamente mais fraco, e é o que mais complica. Ou seja, é teoricamente o mais fraco, mas isso não se comprovou no jogo de ida, o time sentiu muito o gramado sintético, felizmente empatamos no México e no Independência foi mais difícil ainda. Saímos perdendo, depois conseguimos o empate, e aquele pênalti no finalzinho, passou pela cabeça de todo mundo o trabalho inteiro indo embora. Mas a torcida jogou junto e o Victor foi muito bem e fez a defesa que garantiu a classificação. Aliás, a torcida do Atlético é fanática, gosta muito do time, e me surpreendeu como apoia a equipe sempre.

 

JC – Qual vai ser o fator mais importante nesta reta final de Libertadores?

Giovanni – Todo mundo que chegou na semifinal tem qualidade. O Santa Fé tem a questão da altitude, o Olímpia é um “encardido”, os paraguaios sempre chegam fortes, e o Newells (adversário do Atlético na semifinal) é uma equipe argentina, então nem se fale. Temos que entrar em campo e buscar o resultado o tempo todo.

 

JC – Qual foi seu melhor momento na carreira? Ainda sonha com Seleção e Europa?

Giovanni – Acho que toda esta sequência no Atlético, até em questão de títulos, resultados, e espero que venha muito mais por aí. Sobre a Europa, todo mundo sonha em jogar lá um dia, assim como a Seleção Brasileira também é um sonho de qualquer jogador.

 

JC – Além de você, são mais dois bauruenses no Galo, os irmãos Richarlyson e Alecssandro. Já tinha amizade com eles antes?

Giovanni – Conhecia pouco os dois. Fui ter mais contato agora jogando junto. Os dois são muito gente fina, são parceriraços mesmo, acabamos fazendo bastante amizade neste período em que estamos no mesmo clube.

 

JC – Tem vindo muito a Bauru para visitar a família?

Giovanni – Fazia um ano e sete meses que eu não vinha para cá. No final do ano passado passamos as festas na Bahia, então fiquei esse tempo todo sem vir para cá.

 

JC – E este apoio à escolinha que seu pai ajuda a desenvolver em Bauru?

Giovanni – É uma forma de retribuir também, faz sete meses que venho ajudando ele. Meus pais sempre me deram a oportunidade de passar pelos clubes, fazer avaliação, e isso foi importante no começo, ainda nas categorias de base. Infelizmente nem todos os meus colegas tiveram esta chance, alguns hoje até entraram para o mundo das drogas, e apoiar a escolinha (Talentos 10) é uma forma de mostrar a nova geração que é possível chegar lá.


 

A escolinha

 

O goleiro Giovanni apoia, desde o final do ano passado a escolinha “Talentos 10”, que é desenvolvida pelo seu pai, Jorge, juntamente com o irmão Giorge e os professores Paulinho Iacanga e Evandro, além do ex-gerente de futebol do Noroeste, João Fernando Gonçalves. Centenas de crianças são atendidas pelo projeto, que utiliza as dependências da Sociedade Hípica de Bauru. 

 

 

Causos da bola

(Neto del Hoyo) 

 

Antes de chegar ao Atlético-MG, Giovanni passou por Ponte Preta, Grêmio Prudente e Marília. O arquirrival do Noroeste foi, nas palavras do próprio bauruense, “seu time formador”. Foi no Estádio Bento de Abreu, também, que Giovanni Aparecido Adriano dos Santos se destacou, atuando entre 2007 e 2010.

Um momento que ficou marcado na carreira do goleiro foi em 2009, quando acabou ganhando a posição de titular do MAC, que na época disputava o Paulistão (caiu naquele ano junto com o Noroeste) e a Série C do Brasileiro (havia caído na Série B de  2008).

A camisa um só ficou com Giovanni depois que o treinador maqueano desistiu de apostar no paraguaio Anthony Silva. Contratado após “análise de DVD”, o arqueiro não conseguia se comunicar com a imprensa – muito menos com sua defesa -, já que misturava o Guarani (língua indígena do sul da América do Sul) com o “portunhol”. Em sua estreia, no primeiro lance soltou uma bola fácil. Giovanni, que teve como companheiros no mesmo MAC o goleiro Yuri (hoje no Noroeste) e Adinam (famoso por ter levado o primeiro gol de Rogério Ceni quando defendia o União São João de Araras, e também por ter tomado 6 gols de Edmundo em um mesmo jogo), garantiu a titularidade.

Depois de passar pela Ponte, o bauruense foi para o Galo. Já Anthony Silva deixou o Marília pela porta dos fundos, mas também marcou seu nome na história do futebol. O paraguaio era o goleiro titular do Deportes Tolima, da Colômbia, que eliminou o Corinthians na pré-Libertadores de 2011. Mas ele assinou seu nome não apenas nas páginas tristes do Corinthians, mas também do futebol mundial, já que defendeu o último chute a gol de Ronaldo Nazário como profissional. O maior artilheiro em Copas do Mundo parou nas mãos do paraguaio.

 

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