Na primeira página, o livro me conquistou logo nos prolegômenos. Lá estava um pensamento que norteia minha vida e nunca o vi transcrito com tanta explicitude:
“Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiverem neutros em tempos de crise moral.”
Algo parecido canta Adriana Calcanhoto em sua música “Senhas” quando diz: “Eu não gosto de bom senso”. Ainda assim, respeito quem vive em cima do muro e vê a vida passar sem emoções: deve ser muito chato ... e covarde!
A ciência está presente em tudo e pode ser um bem ou um mal contemporâneo. Livros e filmes tem suas tramas com base em conhecimentos científicos e as vezes não se entende alguns pontos. No lançamento do livro “Inferno” de Dan Brown, senti que deveria explicar melhor os vírus, a manipulação e terapia genética: impossível ficar indiferente a um mega-seller mundial!
Os vírus
O vírus são partículas tão pequenas que o homem demorou séculos para identificar e isolar. Algumas substâncias eram tóxicas e provocavam doenças, mas não se conseguia isolar o veneno que continham. Vírus em latim significa veneno ou toxina. Quando descobriram que eram partículas com DNA ou RNA no interior, continuaram a ser chamadas de vírus, mas existiam em todos os lugares, não apenas em líquidos.
As partículas virais são tão pequenas que temos que pensar em milhões e bilhões delas em cada gotícula de saliva, lágrima, suor, espirro e respiração. Se dividirmos um milímetro em mil partes, cada uma chama-se micrometro. Se dividirmos cada micrometro em mil partes, cada uma recebe o nome de nanômetro. Tudo muiiito pequeno!
Dentro de cada vírus tem filamento de DNA ou RNA onde está escrito bioquimicamente algumas receitas ou instruções. Alguns vírus traz informações sobre como produzir tal proteína ou como parar uma célula em proliferação ou mitose, ou ainda como estimular células a proliferar sem parar. No nosso DNA estão escritas informações sobre o funcionamento das células e cada uma destas instruções são conhecidas como genes. Em cada célula, temos os mesmos 25 mil genes.
O vírus parece um pirata: quando entra nas nossas células, suas instruções ou genes se incorporam no nosso DNA e domina o funcionamento do navio. Tudo nas células obedece e funciona para servir os vírus! O objetivo é fazer cada vez mais vírus e esparramar-se no corpo e no ambiente. Na gripe, o vírus faz isto com as células que revestem o sistema respiratório: cada espirro são trilhões de vírus esparramando-se pelo mundo! Atchim ..... tô fora!
O vírus da rubéola entra no corpo e bloqueia as mitoses, o HPV estimula a mitose. O do herpes simples e zoster, manda as células produzirem muitos vírus e provoca inflamação com vesículas e bolhas. Cada tipo de vírus, interfere de forma diferente no funcionamento do corpo. Cada tipo de vírus tem tropismo ou afinidade com um tipo de célula e só dentro delas se multiplicam!
Vírus vetores
Os geneticistas conseguem mudar as receitas ou instruções escritas no DNA de vírus, bactérias, plantas e animais, mas no homem questões éticas e legais não permitem esta manipulação dos genes. O DNA representa o manual do proprietário com todas informações necessárias. Mudar o DNA pra fins de cura, chama-se terapia genética.
Uma das formas de se conseguir isto em humanos é mudando o DNA dos vírus em laboratório, fazendo-os conter informações ou genes, tal como fabricar uma proteína em determinada célula humana. Em pacientes doentes, por não conseguirem produzir a tal proteína, se inocula os vírus modificados.
Ao entrar nas células do paciente, os vírus incorporam-se no DNA humano e corrige, pois carrega o gene correto: o paciente está curado. O vírus coloca a informação certa no lugar da errada no DNA humano e não faz mal nenhum! Por isto são chamados de vírus vetores.
No “Inferno”, o bioquímico Bertrand Zobrist tinha a consciência que em breve a superpopulação iria acabar com a Terra, extinguindo-se a raça humana! Hoje, somos 7, mas o planeta só é viável para 4 bilhões: a conta não fecha! Ele achava a espécie humana muito prolífica.
Como a OMS não tomava as medidas que ele considerava necessárias e as religiões impediam medidas mais rígidas de controle, Zobrist por conta própria fez um vírus vetor e contaminou o mundo. O vírus vetor levava um gene que incorporado nas células reprodutivas humanas tornavam-nas aleatoriamente inférteis em um terço da população atingida!
Problema resolvido! Será?