Desde que nasci, ocorreram três grandes mobilizações populares. Diretas Já!, em 1984, Caras Pintadas/Impeachment Collor, em 1992; e #VemPraRua, em 2013. Em 1984, pedia-se a eleição direta para presidente da República e a queda do regime militar. No aniversário de São Paulo, 1,5 milhão de pessoas se reuniram pela causa. Já em 1992, milhões de pessoas acompanharam ao vivo a votação pelo impeachment do Collor e eu fui uma delas, apesar de ainda jovem. O Collor renunciou, mas mesmo assim o Congresso votou.
Mas agora, em 2013, a população está nas ruas por tantos motivos que o foco se perde. É por causa da tarifa do transporte coletivo, do superfaturamento das obras dos estádios, por causa da corrupção, em favor da falta de saúde e educação dignas, contra a repressão policial, contra os políticos, contra quem é contra... É tanta coisa que ninguém nem sabe mais o que quer exatamente, só sabe que quer.
Já disse e continuo repetindo. O único protesto válido virá das urnas. Enquanto não aprendermos a votar, teremos vereadores, senadores, deputados federais e estaduais se reelegendo eternamente. E são esses que verdadeiramente decidem qualquer coisa. Eles são os legisladores e jamais votarão a favor de leis que sejam contra seus interesses.
Rosa Scarcela, estudante universitária