Cultura

Ele está perigoso...

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 6 min

Ele está “perigoso”, não somente por causa de seu novo trabalho, que leva o mesmo nome. O ex-vocalista do Ira!, Nasi, aproveita o momento de protestos e manifestações pra colocar a boca no trombone e dizer que os partidos políticos hoje não correspondem mais aos desejos e anseios do eleitorado.  Apesar de fanático por futebol, o músico diz acreditar que a Copa foi vendida ao povo brasileiro, deixando pra trás a oportunidade do Estado investir na infraestrutura do País.


Além do papo político, na “pauta” musical Nasi revelou detalhes de sua carreira após o fim do Ira!, da experiência na televisão com o programa “Nasi Noite a Dentro” e falou de sua paixão pelo rádio. O cantor ainda falou dos preparativos do show em Bauru, no próximo dia 5 de julho, no Bauru Tênis Clube (BTC). Confira a entrevista:


JC: Quais lembranças você tem de Bauru?


Nasi: Fiz muito shows em Bauru sim. Senti um público muito ligado no que faço, muito antenado, uma juventude muito roqueira. É dessa recepção que lembro! Não dá pra contar todos os shows que fiz ao longo destes 30 anos aí na cidade, mas todos foram muito bons.


JC: O que prepara para o show em 5 de julho?


Nasi: Vou mostrar muitas coisas do meu trabalho mais recente que é o CD “Perigoso”, lançado no final do ano passado. Ainda estou divulgando este CD em todo o País. Também vou apresentar músicas que marcaram minha carreira à frente do Ira!, já que grande parte do público que me acompanha hoje me acompanhou quando estava no Ira!. Então será um show que terá novidades e que o público vai poder matar saudades de sucessos da minha carreira.


JC: E a sua atual fase de carreira solo musical...


Nasi: Estou em uma fase solo consolidada. Tinha trabalhos solos enquanto estava no Ira!, mas óbvio que não podia me dedicar tanto por conta da agenda do grupo. Mas agora estou todo voltado para minha carreira individual, e já estou com o segundo disco lançado após o fim da banda. E é um momento muito bom, pois em julho já tenho 15 shows marcados. É algo mais ou menos compatível aos melhores momentos, ao auge do Ira!. Acho que as pessoas já entenderam o momento da minha carreira solo, porém, acho que houve certa confusão: minha carreira solo enquanto o Ira! existia era voltada somente ao blues e isso marcou muito. E com o final do Ira!, as pessoas pensaram que eu iria continuar apenas com o blues. Com o final da banda, comecei a desenvolver também os elementos do rock. Então a pessoa que vai hoje ao meu show vai ouvir momentos de blues, mas também muito rock n’roll.


JC: E o Ira!? Volta um dia?


Nasi: Olha, não busco este horizonte. Mas ao longo da minha vida percebi que o destino não é algo tão imutável assim. O que posso dizer agora é que não vejo este horizonte, não trabalho em direção a isso.


JC:  E a experiência do programa “Nasi Noite a Dentro”, que acaba de ir ao ar pelo Canal Brasil...


Nasi: Esse programa é do diretor André Barcinski, que também é jornalista e já dirigia outros dois programas no Canal Brasil – um deles é um programa de entrevistas do Zé do Caixão. E como ele faz programas bem inusitados, seguindo uma linha “não convencional de entrevistadores”, ele foi buscar em mim uma pessoa que pudesse visitar lugares inusitados da noite paulistana, assim como entrevistar personagens diferentes e encarar situações um tanto bizarras que existem em uma cidade como São Paulo. É um programa rápido, muito dinâmico. Foram gravados 26 programas, que vão passar durante um ano, incluindo reprises. E está proporcionando uma experiência muito bacana e nova pra mim, divertida, porque participo da escolha das pautas do programa, que espero que continue em 2014.


JC: É verdade que existe um documentário sendo produzido sobre sua trajetória?


Nasi: Isso faz parte do trabalho do trabalho do diretor Alexandre Petillo, que foi um dos autores da minha biografia. É um trabalho independente dele e de um grupo com mais pessoas, que já fez gravações comigo há um ano. Faz muitos meses que perdi contato com eles pra saber ‘a quantas’ anda este projeto. Espero que saia, pois o grupo coletou um material bem interessante, que pode não somente falar da minha trajetória, mas da trajetória do Ira! e do rock brasileiro.


JC: Além do São Paulo, tem outra paixão sua que as pessoas não conhecem tanto?


Nasi: Ah sim, eu gosto muito de rádio. Comecei com programas que fazem referência a futebol - que é um assunto que eu gosto de falar – e programas sobre rock em geral. Comecei com este tipo de programa em 2003 com o Casagrande, depois mudei para outra rádio, a Kiss FM, em São Paulo, uma rádio voltada para rock clássico... e continuo nesta rádio com o programa 90 Minutos, que tem grande audiência em São Paulo.


JC: Como um grande aficionado pelo futebol, você acha que vai dar Brasil na Copa das Confederações? Está vendo os jogos?


Nasi: Olha, acho que a preocupação que temos de ter na Copa das Confederações, mais do que ganhar, é que o Brasil encontre uma base e uma maneira de jogar. Acho que durante o período do técnico Mano Menezes houve muita experiência, mas se definiu pouca coisa, o que gerou um caos nos resultados do futebol brasileiro, inclusive uma queda vertiginosa no ranking de seleções. O Felipão pelo menos já definiu um time e uma maneira de jogar. Espero que nesta Copa, mais importante do que o Brasil ser campeão, é que mostre uma “cara” pra si mesmo e pra torcida brasileira. E então o Brasil vai ter praticamente um ano pra terminar essa equipe titular e definir a forma de jogar para a Copa do Mundo.


JC: Você acha válidos esses recentes protestos pelo País?


Nasi: Acho que é um momento inaugural na mobilização da população em relação a seus anseios. Acho que é a primeira vez que a Internet e as redes sociais estão mostrando seu poder de mobilização, que antes pertenciam somente aos sindicatos e aos movimentos sociais organizados. Acho que essa questão da tarifa foi “a cereja do bolo”; ou melhor, foi a gota d’água. E a verdade é que a insatisfação é muito maior. O problema é que os partidos políticos hoje não correspondem mais aos desejos e anseios do eleitorado. Então nós vamos obrigatoriamente votar. E os governantes eleitos viraram as costas para a opinião popular. Estamos em meio a uma Copa que foi vendida ao povo brasileiro, e que deixou pra trás a oportunidade do Estado investir na infraestrutura do País, em hospitais, vias públicas. E o que a gente viu é que não foi construído um legado pro País e que foram “assaltados” os cofres públicos com bilhões de reais pra construir uma Copa que mais atende a interesses particulares. É um basta. Espero que isso repercuta nas próximas eleições e ações mais sérias para 2014.

Serviço


O BTC de campo fica na quadra 5 da av. José Vicente Aiello, na Vila Serrão. Ingressos à venda na secretaria do clube por R$ 30,00 (sócios) e R$ 50,00 (demais interessados). Haverá também reserva de mesas. Informações: (14) 3235-0500.

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