Fotos: Douglas Reis |
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Motoristas se concentraram na Praça do Líbano... |
A greve dos motoristas do transporte coletivo de Bauru entra no seu sexto dia, hoje, sem avanço nas negociações entre empresas e trabalhadores.
Após um dia exaustivo marcado por três reuniões, a categoria decidiu, ontem, pela continuidade da paralisação, com 100% dos ônibus fora de circulação.
Assim, a promessa é de que os ônibus não voltarão a circular até que haja uma contraproposta às reivindicações do movimento.
Esta já é considerada a maior greve da história do setor na cidade sem que a porcentagem mínima de ao menos 30% ônibus nas ruas fosse mantida.
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... e, com carteiras de trabalho em mãos, foram até a Câmara e Prefeitura de Bauru |
Depois de se reunirem com vereadores na Câmara Municipal, na manhã de ontem, representantes do grupo dissidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sindtran), que deflagraram a paralisação, tiveram um encontro rápido com o prefeito Rodrigo Agostinho (leia mais na página ao lado).
O chefe do Executivo agendou nova reunião com o grupo, que teve início por volta das 16h30 no Palácio das Cerejeiras, com a participação da vice-prefeita Estela Almagro e dos vereadores Sandro Bussola (PT), Roque Ferreira (PT), Faria Neto (PMDB) e Telma Gobbi (PMDB).
A Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb), formada pelas três operadoras do serviço na cidade - Grande Bauru, Baurutrans e Cidade Sem Limites -, informou que só negociaria com os representantes legais do Sindtran e não compareceu à reunião.
O encontro na prefeitura chegou a ser suspenso para que Rodrigo e Estela fossem até a Transurb na tentativa de intermediar a negociação. Voltaram com o posicionamento das empresas, que se dispuseram a não descontar os dias parados do salário dos funcionários, o que não foi aceito pela liderança do movimento.
Contra o TRT
Na pauta de reivindicações, os motoristas defendem o aumento de R$ 400,00 no vale-alimentação, aumento para R$ 400,00 pela cobrança de tarifa, aumento da Participação dos Lucros e Resultados (PLR) da empresa para R$ 1.200,00 e estabilidade para os trabalhadores até o próximo dissídio, além do abono durante os dias de greve. Aumento de 12% foi desconsiderado. “Estamos dispostos a voltar ao trabalho, mas as empresas não demonstram interesse em abrir diálogo”, comenta o líder do movimento grevista, Valter Dutra Pereira.
Riscos
E de acordo com ele, até que uma contraproposta seja apresentada, nenhum ônibus deve sair das garagens das empresas. “Estamos dispostos a correr qualquer risco para conseguir nossas reivindicações”, completa. Descumprindo liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), os motoristas ficam sujeitos à multa diária de R$ 100 mil, além de poderem responder por crime de desobediência à Justiça e por abandono coletivo de trabalho, o que pode gerar demissões por justa causa.
A Transurb informou que, ainda ontem, comunicaria o descumprimento da liminar ao TRT, apresentando provas documentais para embasar a denúncia. O descumprimento deverá ser analisado nos próximos dias por um órgão colegiado do tribunal, que também julgará a legalidade das reivindicações da categoria e do próprio movimento grevista. Só então uma eventual multa poderá ser aplicada. Mesmo assim, os trabalhadores ainda poderão recorrer da decisão no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Tribunal deve reduzir percentual
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) poderá reduzir, a partir de hoje, o percentual mínimo de ônibus que, obrigatoriamente, devem permanecer em operação para garantir a legitimidade da greve. A informação foi prestada, ainda na noite de ontem, pelo vereador Sandro Bussola e pelo prefeito Rodrigo Agostinho, que teriam sido comunicados da mudança pelo próprio tribunal via e-mail.
Segundo informações extraoficiais, a exigência mínima cairia de 100% para 80% da frota de ônibus nos horários de pico (das 6h30 às 9h30, das 11h30 às 13h30 e das 17h30 às 19h) e de 80% para 50% nos demais horários.
Associação das empresas estima prejuízo de R$ 1 milhão
A Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) informou, ontem, que as três operadoras do serviço na cidade - Grande Bauru, Baurutrans e Cidade Sem Limites – já acumulam prejuízo de R$ 1 milhão após cinco dias sem nenhum circular nas ruas.
Além de perderem faturamento, foram multadas em mais de R$ 383 mil pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que notificou a Transurb na semana passada para que apresentasse um plano de operação para os dias de greve.
O não atendimento à solicitação já gerou multa de R$ 212.820,00 à Grande Bauru, responsável por 40 linhas de ônibus; R$ 101.089,50 à empresa Cidade Sem Limites, que responde por 19 linhas; multa de R$ 69.166,50 à Baurutrans, que opera 13 linhas. O valor final da penalidade será calculado e aplicado quando do retorno da operação das linhas. As empresas poderão recorrer da decisão.
Uma nova audiência
Após fazer contato com o Ministério Público do Trabalho (MPT), o prefeito Rodrigo Agostinho adiantou que uma nova audiência de conciliação deverá ser marcada ainda nesta semana com o procurador do Trabalho Luís Henrique Rafael. Para o encontro, devem ser convidados representantes do Sindtran, grupo dissidente, Transurb e Emdurb.
“Será mais uma medida para tentar solucionar este impasse. Até lá, nosso apelo é para que os motoristas mantenham o mínimo de ônibus nas ruas, já que se trata de um serviço essencial à sociedade”, frisa o chefe do Executivo.
Possível contratação
Após o encerramento do quinto dia sem nenhum circular nas ruas, a Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) já cogita contratar motoristas para prestar o serviço de forma emergencial. Por meio de anúncio publicado nos jornais desde segunda-feira, vem chamando profissionais a apresentar currículos para análise.
Segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, a empresa possui respaldo legal para adotar a medida. Antes, já haviam sido cogitadas as possibilidades de destacar policiais militares e até soldados do Exército para desempenhar a função dos grevistas. “Mas ninguém possui número suficiente de motoristas com habilitação para dirigir ônibus. É a mesma situação dos motoristas da prefeitura”, lamenta o chefe do Executivo.
“Continuamos a buscar soluções para o impasse e nenhuma possibilidade está descartada”, completa.
‘Não considera’
Consultada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Transurb ressaltou que ainda não considera iniciar demissões por justa causa dos trabalhadores em greve, que descumprem liminar concedida pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Emdurb remaneja agentes
Devido ao aumento do fluxo de veículos nas ruas de Bauru, a Emdurb concentrou um número maior de agentes do Grupo de Operações de Trânsito (GOT) para atuação nos horários de pico e pontos mais críticos da cidade. Normalmente, os 34 funcionários igualmente em três turnos.
De acordo com o gerente técnico de infrações da Emdurb, Gustavo Cardoso, mais fiscais foram destacados para disciplinar o trânsito, principalmente entre 18h30 e 20h. “Em casos como na avenida Duque de Caxias, eles fazem manualmente o trabalho dos semáforos”. É uma forma de tentar amenizar os problemas”, frisa.

