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Estado de direito

Gino Crês
| Tempo de leitura: 1 min

A observação das leis e daquilo que foi combinado é o mínimo que deve vigorar numa sociedade civilizada. O contrário seria a anarquia, que considera a sujeição às leis um jugo insuportável. Nela os mais afoitos é que vencem e subjugam à sua tirania os cidadãos menos aquinhoados. Parece que o poder público no Brasil está distraído. Não enxerga os lances que ofendem a pacífica convivência entre os compatriotas. Ateia-se fogo a ônibus, matam-se bois numa fazenda, quebram-se lojas comerciais, arrasam-se plantações benéficas à nação, roubam-se cargas de caminhões...

Nada acontece para desestimular os autores. Diante das quebras da Constituição, o poder público é tolerante, compreensivo e até omisso. Pela minha formação civil e religiosa, sou contra os atos de destruição de propriedades. Tais atos estabelecem a desconfiança mútua, a insegurança sobre a validade da Constituição, despertam ódios irreprimíveis, vinganças intoleráveis. As garantias mínimas precisam existir sempre.

Mas aqui se encontra uma das maiores belezas da democracia. Ela tem recursos internos, dentro da lei e da ordem, para superar as injustiças e as distorções sociais sem abandonar os acordos estabelecidos e sem usar a violência. Aí estão os protestos, as passeatas, o povo na rua reivindicando sem baderna e vandalismo, os cartazes com mensagens dignas de uma reflexão, os apelos da imprensa, a proclamação de melhores leis e de reformas políticas.

Como nos fez bem ver pelas ruas de Bauru jovens sonhando e correndo o risco de ver seus sonhos realizados. "Cidadão" e "cidadania", conceitos esquecidos por muito tempo, agora reaparecem cheios de significação política. Cresce o sonho de uma sociedade organizada de modo solidário e participativo. O sonho de uma sociedade sem exploração, onde todos se sintam cidadãos livres, participantes e responsáveis.

O autor, Gino Crês, é professor

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