Quando o ministro Joaquim Barbosa chamou os partidos políticos de "partidos de mentirinha", e eu escrevi um artigo publicado aqui no JC, muitos criticaram e acharam até ofensivo o título. As recentes manifestações populares fizeram eco a essa linha de pensamento, principalmente quando os líderes e a maioria dos manifestantes, não confundir com baderneiros e ladrões, deixaram bem claro que essas manifestações não tinham lideranças partidárias, que não aceitavam sequer a aproximação de partidos políticos com suas bandeiras, descontentes é claro, com a atuação desses partidos e seus políticos, seja nas Câmaras Municipais, nas Prefeituras, nas Assembleias Legislativas, e no congresso nacional que reúne as duas principais casas de Leis desse País, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, sobrando até para a Presidenta e seus ministros.
Muito longe de ser apenas um movimento isolado de uma meia dúzia de descontentes com o aumento de uns míseros centavos na passagem do transporte público, essa mobilização que estamos acompanhando desde o início do mês de Junho, é um claro recado aos governantes desse País, de que o descontentamento é geral e incide sobre outros tantos temas de relevância e interesse do povo Brasileiro.
Sem a manipulação do governo federal sobre dados de popularidade da presidente Dilma que para eles, mostra altíssimos índices de aprovação popular, o que temos visto é bem diferente. O descontentamento é principalmente sobre a forma de governar, sobre as ações tomadas dentro de quatro paredes e voltadas para o interesse de meia dúzia de aproveitadores que se intitulam Líderes de bancada. Líderes de quem? As ruas questionam essas lideranças. Basta ver as frases dos cartazes dos manifestantes. Lendo os artigos aqui no JC, um em especial me chamou a atenção, e de onde pincei essas linhas: "Com o poder nas mãos, a maioria das pessoas é convertida para o lado negro da força, especialmente pela ganância que existe em cada ser humano. Impossível de negar: todos nós escolhemos os nossos governantes apenas pelas promessas que nos fazem, poucos são os que escolhem pensando no futuro de nossa cidade, do nosso Estado, do nosso país. Mas alguém liga?
Continuamos colocando a culpa nos políticos que nós mesmos elegemos e não fazemos nada. Se essa porcaria continuar, aí é que o mundo vai acabar de vez. Quem me conhece deve estar pensando: "Nossa, o Vitor está escrevendo isso?" Que se dane! Tenho guardado esses pensamentos só para mim, mas não aguento mais... e já que pareço ter enlouquecido de vez, estou pouco me "lixando" com julgamentos. Decidi falar tudo que está entalado na minha garganta. ....o Governo, quer um povo submisso, que ande em círculos, mas de olhos vendados para que não enxergue que tem ladrões no poder. O mundo está pior que as estradas esburacadas do nosso país, que até hoje o governo promete consertar". Pra quem ainda não entendeu o recado, esse texto foi escrito e publicado aqui no JC por um garoto de apenas 15 anos, Vitor Giavarina, e que já "pensa", para o terror dos que ainda acham que podem fazer politicagem amordaçando o povo.
Ele pertence a nova geração de brasileiros que enxergam, e longe, as más intenções da política e dos políticos e estão conectados por redes sociais que conseguem, mesmo sem uma liderança, reunir milhões de pessoas em milésimos de segundos em torno de um só pensamento. Ou vocês políticos mudam o discurso fácil e a maneira de pensar e de agir, ou vão enfrentar pelas próximas gerações, manifestações como essas que estamos vendo. E não deem as costas para esses recados vindos das ruas, por que a partir do momento que um garoto de apenas 15 anos já pensa desse jeito, a forma da cobrança através das manifestações populares para os desonestos e incompetentes, só tende a piorar; pra vocês.
Joaquim Neto - Publicitário e Consultor de Marketing