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E as minhas contas?

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Em meio a protestos, greves, manifestações, reação de políticos, que colocam temas relevantes para o debate nacional, temos que enfrentar a realidade e administrar as finanças da família. Na verdade só peguei este gancho das manifestações para chamar a atenção de todos para um assunto que não pode sair de cena. O país convive com uma pressão sobre os preços. A inflação é verdadeira, retira poder de compra do salário e é preciso redobrar a atenção na gestão dos recursos.

Primeiramente a constatação é que muitos preços ainda estão indexados e toda vez que a inflação do passado é mais elevada, a projeção para o futuro não é nada animadora. O ano que vem teremos reajustes mais pesados nos planos de saúde, nos aluguéis, nas mensalidades escolares, isso só para citar alguns preços que possuem reajustes anuais.

Além desta visão de futuro dos preços temos que considerar que hoje já ocorre a perda do poder aquisitivo das famílias. A maioria das categorias profissionais tem conquistado reajustes abaixo do necessário. Vejam o caso dos alimentos: inflação na casa de 14% em doze meses. Os salários quando muito atingem 8% de reajustes. Isso tudo é potencializado quando a demanda é crescente. Famílias com filhos em crescimento sabem que os gastos se elevam em proporções superiores ao normal. Escola, lazer, vestuário, saúde, transporte, comunicação, são alguns itens que representam gastos crescentes.

Além disso, tudo vivemos em uma sociedade de consumo, portanto, o meio social acaba "impondo" determinado comportamento no tocante a aquisição de produtos e serviços. Muitas famílias gastam por comparação, isto é, analisam o perfil de gastos daqueles de sua convivência social e às vezes até inconscientemente acabam comprando bens ou contratando serviços que nem sempre o bolso suporta.

Estamos fechando o primeiro semestre e muitas pessoas no final do ano passado firmaram propósitos de mudar o comportamento no tocante a gestão dos recursos da família. Prometeram controlar melhor os gastos e envolver todos os membros da família no sentido de ajudar a administrar melhor as finanças do lar. Muitos falharam e até ficaram desmotivados. Mas não pode ser perdido o foco.

Temos seis meses pela frente até a virada para o novo ano e ainda há tempo de reverter situações que fugiram ao controle. Reúna a família. Reveja as metas. Trace estratégias e trabalhe com um cenário econômico menos favorável, posto que a economia brasileira combina inflação em alta e crescimento econômico em baixa, portanto, um ambiente de incertezas. Com os pés no chão, com determinação e acima de tudo sabendo com clareza aonde quer chegar, é possível transformar as finanças do lar em uma coisa mais leve que contemple qualidade de vida. Refletir sobre o momento do país é preciso, mas sem descuidar das contas e da rotina diária do controle do orçamento familiar.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC

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