A presidente Dilma Rousseff se reuniu ontem com representantes de movimentos relacionados à juventude e à comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais).
As reuniões fazem parte de uma série de encontros agendados pela presidente com integrantes de movimentos sociais em reação às recentes manifestações populares pelo país.
Na primeira agenda do dia, Dilma recebeu representantes de entidades estudantis, sindicais e demais movimentos relacionados à juventude. Entre os temas discutidos, além das demandas usuais desses setores, estava a questão da gratuidade e da diminuição das tarifas de transporte público.
O governo anunciou também a criação de um observatório participativo - site que funcionará como uma espécie de rede social, para discutir demandas de jovens. Previsto para ir ao ar em 8 de julho próximo, ainda não há definição se será hospedado no próprio site da Presidência.
Nele, o visitante poderá criar um usuário, interagir com outros visitantes, publicar textos e defender ideias. Funcionará também como um banco de dados com informações sobre assuntos relacionados à agenda atual, como mobilidade, educação, sexualidade e saúde.
Segundo presentes na reunião, foi apresentado que, num longo prazo, a redução da tarifa seja bancada por meio da taxação de grandes fortunas e pagamento de imposto progressivo.
“No longo prazo, o que a gente discutiu foi a necessidade que o financiamento não se desse através de desoneração, mas de taxação de grandes fortunas e imposto progressivo”, disse o presidente do Conjuve (Conselho Nacional da Juventude), Alessandro Melchior. “O empresário não repassa e não chega ao usuário.”
Cura gay
A reunião com os representantes da comunidade LGBT, a segunda do dia, foi também para ouvir demandas, sobretudo relacionadas à homofobia. Segundo participantes da reunião, a presidente se manifestou “contra toda forma de discriminação, todas as formas de intolerância e a favor de todas as diferenças”.
Questionados se a presidente se posicionou sobre o projeto que tramita na Câmara sobre a “cura gay”, participantes da reunião relataram que Dilma não se manifestou “diretamente” sobre o assunto.
Lula nega ter criticado articulação da presidente
Nota oficial do Instituto Lula, divulgada ontem, nega críticas à articulação política do governo de Dilma Rousseff. Lula, que embarcou ontem para a Etiópia, disse que “a presidenta mostrou extraordinária sensibilidade ao propor a convocação de um plebiscito sobre a reforma política”.
“A iniciativa tem o mérito de romper o impasse nessa questão decisiva, que há décadas vem entrando e saindo da agenda nacional, sem lograr mudanças significativas. Ouvindo o povo, nosso sistema político poderá se renovar e aperfeiçoar. É o que se espera dele”.
A Folha revelou que Lula chamou de “barbeiragem” a condução política do governo em reação aos protestos de rua. Lula se queixou especialmente da forma “atabalhoada” com que a proposta de constituinte para a discussão de uma reforma política foi apresentada, sem prévia consulta à base governista.