Internacional

Irã: novo líder defende liberdade


| Tempo de leitura: 3 min

O presidente eleito do Irã, Hasan Rowhani, defendeu ontem mais liberdades individuais, principalmente para jovens, e reiterou que a política de “moderação” prometida durante a campanha deverá ser aplicada também na política externa.

“Devemos falar com meninos e meninas da mesma maneira com que falamos aos nossos filhos. A dignidade das pessoas deve ser preservada”, disse Rowhani, um clérigo xiita conhecido por posições conciliadoras, em discurso transmitido pela TV.

A declaração foi uma crítica ao aumento da repressão moral desde que o atual presidente, o conservador Mahmoud Ahmadinejad, chegou ao poder, em 2005.

Com patrulhas espalhadas pelo país, a polícia da Orientação Islâmica tornou-se cada vez mais impopular por prender moças cuja aparência for considerada imprópria para os padrões legais do Irã.

Há abundantes relatos de abuso policial, inclusive humilhações e agressões verbais por parte das policiais mulheres encarregadas de prender quem estiver vestida com véu supostamente incorreto, com excesso de cores ou usando maquiagem.

“Humilhar as pessoas não é aceitável, mas notificar educadamente é correto”, disse Rowhani, num aparente esforço para não alienar setores da sociedade opostos à liberalização dos costumes.

Como parte desse mesmo aceno, ele prometeu incluir conservadores em seu gabinete para formar um governo de unidade nacional.

Mas o alvo principal do discurso de ontem parecia claramente ser a parcela da sociedade contrária à atual política, que mescla repressão interna e retórica abrasiva na diplomacia.

“Nesta eleição, as pessoas disseram: ‘queremos mudança’. (...) A melhor linguagem popular é a voz das urnas”, afirmou Rowhani, que tomará posse em agosto.

O presidente eleito voltou a mencionar a ideia, martelada ao longo da campanha, de que a adoção de uma nova agenda externa de “moderação” ajudaria a aliviar as sanções ao programa nuclear iraniano, que causam desemprego e inflação.

 

Urânio

Mas Rowhani insistiu em que isso não significa “submissão” ou “passividade” diante da pressão ocidental, corroborando a previsão pela qual ele será mais propenso a eventuais concessões, mas não suspenderá o enriquecimento de urânio.

Céticos lembram que decisões sobre o programa nuclear cabem ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, adepto da linha dura nas negociações.

Mas analistas enxergam a bênção do regime à eleição de Rowhani como possível sinal de mais disposição para um acordo.

O presidente eleito não falou sobre o programa de enriquecimento de urânio, mas ele deverá continuar. Na última sexta-feira, Fereydoun Abbasi-Davani, chefe da Organização de Energia Atômica da República Islâmica, sugeriu que não haverá mudança de rumo,  apesar da eleição de um presidente relativamente moderado este mês.

 

Atividade nuclear

 

O Irã vai avançar com seu programa de enriquecimento de urânio, disse o chefe de energia nuclear do país na última sexta-feira, sugerindo que não haverá mudança de rumo apesar da eleição de um presidente relativamente moderado este mês.

Fereydoun Abbasi-Davani, chefe da Organização de Energia Atômica da República Islâmica, disse que a produção de combustível nuclear “continuará em linha com objetivos declarados. O enriquecimento ligado à produção de combustível também não vai mudar.”

Falando a jornalistas em uma conferência sobre energia nuclear em São Petersburgo, na Rússia, ele disse que o trabalho na instalação subterrânea de Fordow - que o Ocidente deseja que o Irã feche - também vai continuar.

O Irã diz que está enriquecendo urânio para alimentar uma rede de usinas de energia nuclear. Mas o urânio enriquecido também pode fornecer material potencial para bombas nucleares, o que o Ocidente teme que possa ser o objetivo final de Irã.

As esperanças de uma resolução para a disputa nuclear do Irã com o Ocidente foram impulsionadas este mês com a eleição para presidente de Hassan Rouhani, que prometeu abordagem menos agressiva com o exterior em relação ao atual presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Como principal negociador nuclear entre 2003 e 2005, Rouhani chegou a acordo com os países europeus em que o Irã suspendeu temporariamente as atividades de enriquecimento de urânio.

 

 

 

Comentários

Comentários