Quatro dias após a decisão da Suprema Corte americana de revogar a lei federal que barrava casamentos entre homossexuais, a parada gay teve uma edição considerada histórica hoje em Nova York.
Com a presença de Edith Windsor, 84, ícone da mudança que iniciou a ação contra o governo, era esperado um aumento de 15% na visitação estimulada pela medida da corte, segundo estimativas da organização.
A vitória da comunidade gay foi citada diversas vezes nos alto-falantes do desfile e repercutida entre os participantes.
"Acredito na igualdade, não importa a orientação sexual", disse Sadie Thorn, 32, em frente ao bar Stonewall Inn, casa noturna que serviu de marco para o início do movimento pelos direitos gays contra a opressão policial na virada da década de 1970.
Taya McRoy, 23, estudante, comparava a festa a edições anteriores. "Definitivamente, o sentimento hoje é de vitória."
"Os casais estão mais unidos neste ano", observava Jessica Nieves, de mãos dadas com a parceira Deanandra Frasquer. "Não tememos o governo".
Na casa dos 60 anos, o australiano Stephen Auburn, de passagem pela cidade, elogiava a medida, com ressalvas irônicas. "Para nós, mais velhos, casamento não é bom para nenhum sexo. Sou de uma época que lutava por outras coisas e há muito a ser conquistado."
"Na Austrália é menos complexo. Não podemos nos casar mas há igualdade para segurança social, saúde, direito de família e propriedade", completava o acompanhante Roger Williams.
Os protestos no Brasil também foram lembrados. Vestida de camiseta da seleção brasileira, a americana Françoise Pourcel explicava seu apoio às duas causas.
"Amo o Brasil e tenho muitos amigos gays. Vim apoiar o evento e percebi o quanto está gigante neste ano, com um sentimento de conquista e de potencial", disse Pourcel, lembrando que a candidata à prefeitura de Nova York, Christine Quinn, pode ser a primeira pessoa abertamente gay a ocupar o cargo se vencer nas eleições deste ano.