Vinte e oito pessoas foram mortas em episódios de violência no Egito ontem, enquanto manifestantes simpáticos ao presidente deposto Mohammed Mursi protestavam contra sua derrubada pelo Exército, disse a emissora de televisão estatal, citando dados do Ministério da Saúde. A emissora não deu mais detalhes. Mais de 200 pessoas ficaram feridas.
Dezenas de milhares de partidários da Irmandade Muçulmana, incitados por seu líder a manter a mobilização, protestaram ontem nas ruas de várias cidades egípcias para exigir o retorno do presidente Mohamed Mursi, derrubado pelo Exército, em meio a um clima de tensão extrema marcado por confrontos.
Tanques do Exército egípcio e reforços policiais chegaram até a ponte 6 de Outubro, próxima à praça, onde os manifestantes se enfrentavam com pedras e morteiros.
Segundo a agência estatal Mena, os seguidores de Mursi tinham tentado chegar até a praça, onde estão reunidas milhares de pessoas que acompanharam a manifestação convocada por grupos não islamitas e ativistas revolucionários a favor do exército.
Os opositores a Mursi impediram então a passagem dos islamitas, que se desviaram rumo à citada ponte e começaram a disparar balas de borracha contra os primeiros.
Após a chegada dos tanques militares, muitos dos manifestantes abandonaram a região, onde havia veículos incendiados e barricadas.
Previamente, as Forças Armadas tinham advertido em comunicado que protegeriam os manifestantes “pacíficos” de toda “provocação ou ataque”.
Mais cedo, o Exército atirou contra manifestantes que protestavam em frente à sede da Guarda Republicana, onde Mursi se encontra detido.
Parlamento dissolvido
O chefe de Estado interino do Egito, nomeado depois que o Exército depôs o presidente Mohamed Mursi, dissolveu o Parlamento por meio de um decreto ontem, informou a televisão estatal.
Apenas o Senado, o Conselho Shura, havia permanecido ativo depois que a Câmara havia sido dissolvida pelas autoridades militares logo após a eleição de Mursi há um ano.
A TV estatal também disse que Adli Mansour, o chefe da Corte Constitucional empossado como chefe de Estado na quinta-feira, nomeou Mohamed Ahmed Farid para comandar a Inteligência. Farid substitui Mohamed Raafat Shehata, apontado por Mursi, que se torna conselheiro de segurança nacional de Mansour.