Política

5.º protesto tem aula e ação cultural

Vitor Oshiro
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Vitor Oshiro

Aula pública explicou o que seria necessário para atingir a tarifa zero do transporte

Explicação no lugar dos gritos. Panfletagem substituindo a marcha. E rostos pintados de crianças ao invés das costumeiras faces jovens. Foi assim a manifestação diferente que o grupo “Bauru Acordou” realizou ontem na praça Rui Barbosa e no Calçadão da Batista de Carvalho. O objetivo foi exatamente ampliar a consciência política dos presentes.

O quinto ato foi o que teve o menor número de manifestantes. Cerca de 30 pessoas se reuniram por volta das 9h da manhã na Rui Barbosa. “Tinha muita gente trabalhando. Mas é o pessoal mais politizado mesmo que veio. Foi dentro do esperado”, disse Renata Cézar, uma das organizadoras.

Por conta do número de presentes, a estratégia foi caminhar pelo Calçadão distribuindo folhetos que explicavam sobre o grupo e elencavam a pauta de reivindicações. Entre os itens estão o passe livre, revogação do aumento da tarifa, fim da cobrança de integração, ampliação e reorganização das linhas, entre outros.

Ao todo, foram distribuídos mais de 2 mil panfletos. Alguns faziam uma espécie de pesquisa sobre o que a população estava achando sobre os atos. “Muitos gostaram. A maioria das pessoas está apoiando. A sugestão que eles dão é para que o movimento não pare”, explica Flávio Alves Olivieri, 21 anos.

Após a entrega dos panfletos, eles se reuniram novamente na praça Rui Barbosa, onde foi realizada uma aula pública de aproximadamente 20 minutos. O tema foi exatamente a tarifa zero do transporte público.

“É um problema político. O político precisa enfrentar os grandes empresários e ele não faz isso. É possível ter tarifa zero em Bauru. Uma das maneiras seria colocar impostos, como o IPTU, de forma progressiva. Quem tem mais paga mais”, disse o manifestante Tales de Freitas, que proferiu a aula.

Ele defendeu ainda que o transporte público não pode contar com empresas privadas. “É preciso uma empresa pública e um fundo municipal”, complementou.

Os manifestantes utilizaram o sistema de som de uma dupla sertaneja que estava na praça. Grande parte de quem assistia ao show ficou para a aula pública. “Eu gostei muito. Deu para entender bem o que eles querem”, disse o aposentado João Rodrigues dos Santos, 70 anos. “Acho que o Brasil devia ter começado a se mexer bem antes”, acrescentou.

Ação cultural

Após as explicações, começaram algumas ações culturais. Os manifestantes pintaram os rostos de crianças que passavam pela praça. Um deles foi Taylor Marx, de apenas 1 ano. A família, que é da Capital, aproveitou o sábado para passear no calçadão e encontrou com o grupo.

Logo após a pintura de rostos das crianças, houve uma apresentação de street dance. “É importante fazer manifestações diferentes assim. Queremos mostrar a importância do convívio pacífico e da socialização mesmo”, disse o manifestante Igor Fernandes, complementando que os protestos não vão parar.


Os atos

Além do protesto ontem, conforme o JC tem divulgado, o “Bauru Acordou” já realizou outros quatro atos na cidade, todos no mês passado. Na último dia 27, os manifestantes pararam a Marechal Rondon por duas horas. No dia seguinte, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) os recebeu e anunciou um “pacotão”. As propostas, contudo, não agradaram o grupo.

Uma semana antes de fechar a Rondon, o “Bauru Acordou” já havia reunido 6 mil pessoas em uma segunda manifestação que percorreu várias ruas da cidade. Já no primeiro protesto, eles seguiram para a Câmara Municipal, onde impediram por quatro horas a saída dos vereadores.


Assembleia hoje define próximo ato

Como já se tornou costumeiro, sempre que termina o ato, os manifestantes marcam uma assembleia para definir qual será a próxima ação do “Bauru Acordou”. O encontro ocorrerá hoje às 15h no Parque Vitória Régia. Apesar de ontem o ato ter sido bastante diferente, os organizadores explicam que essa não será uma constante. “É muito importante documentar essa conscientização assim como fizemos hoje (ontem). Mas os atos não devem ser sempre assim. Iremos ter mais manifestações como as outras”, explica Igor Fernandes.

A pauta de reivindicações é focada no transporte público. Para se aproximarem da meta principal – o passe livre –, eles pedem revogação do aumento de tarifa e a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investigue o transporte. Entretanto, em meio aos questionamentos, discussões sobre saúde e educação são frequentes.

Malavolta Jr.

Manifestação do movimento “Bauru Acordou”, realizada ontem, teve explicações sobre tarifa zero, panfletagem e pintura facial

 

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