Sempre que há um homicídio, o objetivo principal da polícia é, sem dúvida, descobrir a identidade do assassino. Mas há casos em que faltam muitas outras peças nesse enigma. Há situações em que, seja por crueldade ou até mesmo por estratégia do criminoso, é difícil descobrir a identificação da própria vítima. Foi o que ocorreu com Marcial Antônio dos Santos, morto em abril do ano passado em Bauru.
Em plena Semana Santa de 2012, a violência com que o crime foi cometido assustou. O homem, de 48 anos, foi localizado em um terreno baldio na rua Francisco Saiez Aiza, quadra 3, divisa do bairro Santa Fé com o Fortunato Rocha Lima. Com 95% do corpo carbonizado, havia indícios de que a cabeça havia sido esmagada antes do assassino – ou assassinos – colocar fogo.
Tudo dificultou a identificação. Foi então que se iniciou o longo caminho para descobrir quem era aquele corpo, algo que só foi descoberto recentemente pela Polícia Civil.
Conforme o JC divulgou nos dias seguintes ao crime, moradores do Fortunato foram até o Instituto Médico Legal (IML) para tentar identificar o homem. Tudo, porém, em vão.
“As condições em que o corpo foi encontrado dificultavam muito o reconhecimento. Não tinha qualquer tipo de identificação com ele. Só parte das pernas não foi consumida pelo fogo”, explica o delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ) Kleber Granja.
O passo seguinte foi levantar todos os desaparecidos naquele período e, com base nas características físicas do cadáver, tentar traçar algum paralelo. “Rastreamos todos os desaparecidos após 1.º de março de 2012. Chegamos a três possíveis identidades”.
As famílias foram convocadas. Duas porém, não confirmaram as suspeitas. Foi então que um pai apontou ampla possibilidade de que se tratasse de seu filho. “Na parte da perna que não estava carbonizada, havia uma tatuagem. O homem disse que o filho estava envolvido com drogas e que vinha sendo ameaçado. Confirmou também que ele estava morando na região do Fortunato”, relata o delegado.
Com isso, foi realizado um exame de DNA. O resultado chegou recentemente e colocou parcialmente um fim no mistério: a vítima é realmente Marcial Antônio dos Santos.
E agora?
Passados cerca de um ano e dois meses do homicídio, a polícia sabe que se torna cada vez mais difícil solucionar o crime. Entretanto, com a identificação da vítima, a esperança é de que possam surgir novos fatos que auxiliem nas investigações.
“Pedimos que quem tiver visto qualquer ação suspeita envolvendo Marcial dos Santos ou saiba de algo que possa ajudar, entre em contato conosco pelo telefone 197, do Disque-Denúncia da Polícia Civil”, destaca Granja.
Nesse período de pouco mais de um ano, o delegado conta que dois traficantes que agiam no bairro “saíram de circulação” – um está preso e o outro foi assassinado.
“Por isso, as pessoas podem ter menos medo de falar agora. Elas serão testemunhas protegidas. Também estamos tendo dificuldades para localizar mais familiares da vítima. Pedimos que eles entrem em contato conosco”, complementa Kleber Granja.