Bairros

Do samba no pé ao grito de gol

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

É impossível falar sobre o Jaraguá sem mencionar uma das maiores paixões e orgulho de seus moradores: a escola de samba Azulão do Morro, campeã do Carnaval de 2011 em Bauru.

Filha de família pioneira no Jaraguá, Aparecida Brito Caleda, a Cidinha do Azulão, conta que seu pai fundou o primeiro time do bairro, o Atlético Clube Jaraguá, em 1970. Alguns anos depois nasceu a torcida Azulão do Morro, que deu nome ao bloco de samba criado em 1993 e evoluiu para a escola, em 1998.

Hoje, a escola tem cerca de 300 integrantes e todos os anos enfrenta desafios como a falta de recursos financeiros, infraestrutura e barracão. Mas a criatividade e a força de vontade dos moradores não deixam a peteca cair e levam a escola para o Sambódromo.

“A gente guarda os carros em terrenos baldios sob chuva e sol, e mesmo estes estão cada vez mais raros por causa do crescimento do bairro. Entretanto, a Azulão não pode acabar, ela é nossa alegria e aumenta a autoestima do bairro. Mas é preciso destacar que a cada ano temos mais dificuldades”.

Tamanho é o amor pela escola que, mesmo em um dos anos perdidos do Carnaval bauruense (a cidade ficou 11 anos sem competição no Carnaval de rua), uma multidão lotou a avenida Gabriel Rabello de Andrade para ver o desfile preparado pelos carnavalescos e foliões do Jaraguá, que lutaram para reacender a tradição.


Sementes

Projeto que visa tirar os pequenos das ruas para ensinar música e orientar para a vida, o Sementes do Azulão atua no bairro há cerca de 10 anos e, depois de um período suspenso, voltou a atender crianças e adolescentes desde o último mês de maio.

“Meu filho dá aulas de música voltada para o samba aos domingos e estamos pensando em também trabalhar no Programa Escola da Família. As crianças pedem para ter aulas, e o projeto é uma oportunidade de tirá-las das armadilhas das ruas, como as drogas, por exemplo”, enfatiza Cidinha.


Futebol é paixão em comum

E o que dizer do bom e velho futebol? Por todo o País, o que se quer é ver gol. E não é diferente no bairro em questão. No Parque Jaraguá, há ao menos três times de futebol amador que representam os moradores e levam lazer e diversão para o cotidiano dos apaixonados pelo esporte: Atlético Clube Jaraguá, Barcelona Futebol Clube e Vila Nova Futebol Clube, todos da primeira divisão da Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA).

E domingo é o dia dele. É o dia de juntar os amigos e a família pela manhã para “churrasquear” e torcer pelo time mais próximo do coração. Difícil é não encontrar alguém que tenha um amigo, um vizinho, o pai, um irmão ou um tio que jogue e sue a camisa por um time do bairro. 

Exemplo é o jornaleiro Cléber Luiz Sebastião, presidente e um dos fundadores do Barcelona. Ele lembra que o time começou em 1998 quando um grupo de amigos se juntou em busca de diversão e para disputar um campeonato organizado na comunidade pelo Jaraguá. Depois de ter outros nomes, nasceu o Barcelona.

“Era um campo de terra e gostamos da diversão. Mas foi em 2008 que surgiu a oportunidade de participarmos da primeira divisão da LBFA. Pena que falta incentivo do poder público ou mesmo das empresas. Por exemplo, não temos campo no bairro para treinar. Fazíamos isso em terrenos baldios, mas as construções avançaram e um terreno onde jogávamos virou bolsão de entulho”, desabafa.

A falta de infraestrutura para o esporte e cultura destaca ainda mais o papel do futebol amador. “Nosso time é comunitário e familiar. A gente festeja na sede com os filhos e as esposas e recebemos pessoas de outros times, tudo em harmonia. Estamos pensando em fazer um trabalho com a categoria de base para tirar as crianças da rua, mas falta campo e apoio”.

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