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Três ex-combatentes dão nomes a ruas

Colaboração: Ana Beatriz Assam
| Tempo de leitura: 4 min

Centenas de voluntários bauruenses partiram para o campo de batalha durante a Revolução Constitucionalista de 1932. No entanto, apenas três entre as 934 mortes oficiais registradas ao final do movimento eram de moradores de Bauru: Agenor Meira, Alfredo Ruiz e Rubens Arruda.

Como homenagem aos combatentes, o nome dos três foi utilizado para batizar ruas de Bauru. Apesar de não serem naturais da cidade, outros importantes líderes do movimento, como o general Marcondes Salgado e o aviador Gomes Ribeiro, também dão nomes a vias públicas.

A perpetuação dos combatentes, no entanto, vai além das ruas batizadas. Bauru promoveu uma campanha com intenção de levantar fundos para a construção de um monumento em homenagem ao movimento revolucionário e aos que morreram em combate.

Feito com pedras de granito, o monumento foi entregue em solenidade realizada em 9 de julho de 1936. A cerimônia contou com a participação de personalidades da cidade, familiares dos combatentes e do prefeito recém-eleito à época, João Bráulio Ferraz, que também lutou durante a Revolução Constitucionalista.

Instalado a princípio na avenida Rodrigues Alves, o monumento já passou por diversos locais da cidade. Foi transferido para a praça Nove de Julho, onde permaneceu por muitos anos, e em seguida foi instalado em frente ao quartel do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI). Atualmente, está em frente ao Cemitério da Saudade.

Familiares

Em muitas famílias de Bauru, a presença de voluntários na Revolução de 32 não se resumiu a apenas um jovem. Na família Guedes de Azevedo, por exemplo, os irmãos Durval, Waldomiro, Everaldo e Antônio fizeram parte da linha de combate.

Neto de Durval Guedes de Azevedo, o professor de história da USC Fábio Pallotta, 53 anos, conta que conheceu vários amigos de seu avô que estiveram no campo de batalha. “Quando conversava com meu avô e outros ex -combatentes, eles ficavam bravos porque muita gente achava que era uma movimento separatista, mas não era. Eles frisavam: ‘Nós combatemos em nome de uma nova Constituição’”, afirma Fábio.


Apoio feminino

O trabalho daqueles que não puderam pegar em armas também foi expressivo. Muitas mulheres de Bauru fizeram parte da Cruzada Feminina Pró-Soldado, que trabalhava na confecção de uniformes e agasalhos para os combatentes. Na época, também se tornaram bastante comuns as campanhas para angariar fundos para a confecção de vestimentas e para a compra de alimentos e outros bens de consumo.

Devido ao fato de não haver mais ex-combatentes vivos provenientes de Bauru, não haverá hoje a tradicional solenidade no 4º Batalhão da Polícia Militar.


Entenda o movimento

A Revolução Constitucionalista de 1932, também conhecida apenas como Revolução de 32, foi um levante armado que ocorreu no Estado de São Paulo, com o objetivo de derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas, instaurado em 1930 através de um golpe de Estado.

O estopim que deu início à revolução, em 9 de julho de 1932, foi o assassinato nas ruas de São Paulo de quatro estudantes contrários ao governo. Eles foram mortos a tiros por um grupo a favor do regime de Getúlio Vargas. Tal acontecimento deu origem à sigla MMDC muito usada para divulgar o levante e cujas iniciais eram dos jovens assassinados – Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.

O movimento ganhou o apoio de 35 mil homens pelo lado dos paulistas e durou três meses com batalhas violentas. Em 2 de outubro do mesmo ano, os constitucionalistas se renderam, não saindo, porém, como derrotados, já que logo depois do término do conflito o governo federal convocou eleições para uma Assembleia Constituinte, que promulgou a Constituição do Brasil em 1934. Foi também quando, pela primeira vez no País, as mulheres participaram do processo eleitoral.


Por que hoje é feriado?

Desde 1997, o dia 9 de Julho é feriado em todo o Estado de São Paulo. O caminho para criação do feriado surgiu com a Lei Federal n.º 9.093, de 12 de setembro de 1995, sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

A lei define que a data magna de cada Estado fosse transformada em feriado civil, dando liberdade para cada unidade da federação escolher o dia do ano a ser guardado.  No caso de São Paulo, o dia escolhido foi 9 de julho, em memória ao dia em que teve início a Revolução Constitucionalista de 1932.

A data foi oficializada por projeto de lei do deputado estadual Guilherme Gianetti (PMDB-SP), que deu origem à Lei Estadual n.º 9.497, de 5 de março de 1997, sancionada pelo então governador Mário Covas.

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