Reagindo à onda de protestos que tomou às ruas do País e de Bauru no mês de junho, as centrais sindicais e movimentos sociais organizados marcaram para amanhã, 11 de julho, o Dia Nacional de Luta. Coordenador da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Bauru, Francisco Wagner Monteiro (Chicão) negou que se trate de uma greve geral no País, como tem sido disseminado pelas redes sociais da internet.
“O sindicato de cada categoria tem autonomia para fazer ou não greve. Não há qualquer tipo de convocação neste sentido, mas é claro que, quem quiser, poderá fazer. No entanto, em Bauru, nenhum grupo assinou. Estamos chamando à luta e à mobilização”, pontua Chicão.
Para o cutista, os boatos acerca de uma greve geral forma criados por pessoas que querem fazer arruaça e não representam as bandeiras históricas da classe trabalhadora nem dos movimentos sociais organizados.
Em Bauru, a concentração do ato está marcada para as 15h, na praça Rui Barbosa, no Centro da Cidade. Os manifestantes, que terão o apoio do grupo “Bauru Acordou” vão caminhar até a Câmara Municipal.
Assessor da CUT em Bauru, João Andrade ressalta que, em pelo menos 17 cidades-polo do Estado de São Paulo, mobilizações parecidas vão acontecer. Na região, Marília e Jaú também vão aderir.
Por aqui, o evento é organizado pela Força Sindical, representada pela categoria dos químicos; CSP-Conlutas, com os bancários; CGBT, com os funcionários dos Correios; além da CUT, representada por enfermeiros, trabalhadores estaduais da saúde e da educação, professores, construção civil, metalúrgicos, eletricitários, rurais, petroleiros e postos de combustíveis, jornalistas, ferroviários, servidores do sistema prisional, além das oposições dos condutores do transporte coletivo, servidores públicos e outros sindicatos.
Pauta unificada
O diálogo para a união das centrais foi conduzido pelos comandos na capital paulista. De acordo com João Andrade, não houve dificuldades no processo, pois a pauta do Dia Nacional da Luta é comum entre todas elas.
Em Bauru, os trabalhadores e estudantes pedirão o fim do fator previdenciário, jornada de 40 horas semanais sem redução salarial; reajuste digno para os aposentados; mais investimentos em educação e segurança; transporte público de qualidade; fim do projeto de lei 4330, que amplia a terceirização; reforma agrária; e fim dos leilões do petróleo.
Representante da CGBT e do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, Anésio Rodrigues afirma que, na pauta local, também está a exigência por melhorias nos serviços de saúde pública.
João Andrade espera levar pelo menos 300 trabalhadores ao ato, sem contar o reforço do “Bauru Acordou”.
Também na cidade está marcada uma mobilização às 10h de amanhã, em frente o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Bauru, que fica na rua Cussy Júnior, 12-59.
Entre as reivindicações, está a redução da jornada dos profissionais de enfermagem para 30 horas semanais.
Pelo transporte coletivo
O grupo “Bauru Acordou” irá aderir à mobilização nacional dos trabalhadores e fará seu sexto ato nesta quinta-feira. Como mostrou o Jornal da Cidade na edição de ontem, em assembleia realizada no domingo, no Parque Vitória Régia, os jovens definiram que a bandeira a ser defendida, desta vez, será a municipalização do transporte e o passe livre.
Por estar integrado ao Dia Nacional da Luta, a expectativa é de que um número maior de manifestantes participe do protesto. A última passeata organizada pelo “Bauru Acordou”, no final do mês passado, reuniu cerca de 400 pessoas, número bem inferior aos 6 mil que saíram às ruas no dia 20 de junho.
Na carta aberta à população que será entregue pelas centrais na quinta-feira, estão os pedidos pelo retorno imediato dos cobradores em todas as linhas e horários do transporte coletivo; a redução no valor das passagens; fim imediato da diferença de valores para quem paga a passagem com dinheiro (sem o cartão); reestruturação das linhas para atender melhor os usuários, especialmente nos bairros contemplados por programas habitacionais de interesse social; manutenção de 100% das linhas nos feriados e finais de semana; implementação de tarifa social por meio de subsídios da prefeitura; e tarifa zero para estudantes, professores e idosos.
Uma data para ‘reação’
Coordenador da CUT em Bauru, Chicão admite que o Dia Nacional de Luta é uma reação às mobilizações populares no País. Trata-se, na verdade, de uma tentativa de reaproximação dos movimentos sociais organizados - e, claro, das centrais sindicais com a classe trabalhadora.
“Como houve muita infiltração de movimentos estranhos aos interesses da classe trabalhadora, a CUT achou, por bem, aderir a essa mobilização, convidando os movimentos sociais e os partidos políticos de esquerda”, afirma.
O sindicalista se refere à presença de marginais e vândalos nos atos Brasil afora e, principalmente, ao que chama de organizações de direita que pedem, inclusive, o retorno da ditadura militar.
Segundo Chicão, o PT e o PSTU são as siglas partidárias que aderiram à mobilização de amanhã.