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A gripe A (H1N1) fez mais duas vítimas em Bauru. As mortes foram confirmadas no final da tarde de ontem pela Secretaria Municipal de Saúde, que informou ainda outros nove casos da doença que não evoluíram de maneira grave. Ao todo, a cidade já contabiliza 16 registros de gripe A (H1N1), com quatro óbitos.
O número de mortes já é duas vezes maior do que o contabilizado em todo o passado, quando duas pessoas morreram em decorrência do vírus Influenza A (H1N1). Já a quantidade de casos triplicou, subindo de cinco para 16 pessoas infectadas.
A secretaria não informou a idade, sexo nem o bairro de origem das duas últimas vítimas fatais. Mas sabe-se que as mortes foram detectadas nos últimos 30 dias, já que o mais recente informe da secretaria havia sido divulgado em 13 de junho.
Em 2013, a primeira morte por gripe A foi registrada no dia 16 de maio. A vítima, o empresário Nilton Roberto Chies, 47 anos, não resistiu após permanecer internado por sete dias em um hospital da rede privada de saúde. Menos de um mês depois, no dia 5 de junho, José Orlando Rubio, 49 anos, morador da Vila Cordeiro, região do Jardim Bela Vista, também morreu devido à doença.
Um estudo por amostragem revelou que 30% dos pacientes com quadro de síndrome gripal que procuraram o Pronto-Socorro Central (PSC) em junho deste ano estavam com gripe A (H1N1). O levantamento integra o Programa Sentinela, desenvolvido pela unidade em parceria com o governo do Estado para monitorar a circulação do vírus H1N1 na cidade.
No universo que abrange todos os diagnósticos feitos na cidade, o índice cai para 24%, mas não está tão distante do apontado na amostra. No Programa Sentinela, segundo o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, os exames são feitos semanalmente em pacientes que chegam ao PSC com síndrome gripal, caracterizada por febre, além de tosse ou dor de garganta e pelo menos um desses sintomas: dor de cabeça, no corpo ou nas articulações.
Abrandamento
No mês passado, 30 pessoas tiveram material biológico (secreção nasal e de orofaringe) analisado pelo Instituto Adolfo Lutz. Dessas, nove foram diagnosticadas com gripe A, sendo cinco mulheres e quatro homens com idades entre 17 e 56 anos.
Apenas um deles, com pneumonia, precisou ser internado antes de conseguir se recuperar. Sabbag explica que, ao contrário de anos anteriores, a gripe A já não é mais uma doença tão difícil de ser tratada. Em muitos casos, os pacientes se curam sem nem mesmo demandar tratamento com fosfato de oseltamivir (princípio ativo do Tamiflu).
“Muitas receberam tratamento para uma gripe comum. Até o resultado do exame ficar pronto, já estavam curadas. Isso ocorre por conta da vacinação, que atingiu uma grande cobertura”, observa. Até o mês passado, nenhum caso de gripe A havia sido confirmado pelo Programa Sentinela em Bauru.
De acordo com Sabbag, a manifestação da doença tende a ser mais grave em crianças menores de dois anos de idade, gestantes, idosos e doentes crônicos. “Pessoas com diabetes, hipertensão, obesidade e até outra doença, como dengue, têm mais chances de precisar de internação e tratamento mais intenso”, frisa.
Tratamento
Exatamente por conta do abrandamento dos sintomas da gripe A (H1N1), apenas pacientes de risco começam a fazer tratamento com fosfato de oseltamivir (princípio ativo do Tamiflu) antes do resultado dos exames, quando o quadro não é considerado preocupante.
Já o restante da população, segundo Sabbag, só recebe prescrição do medicamento se apresentar dificuldades para respirar, além de febre, tosse e dor de garganta, entre outros sintomas da gripe.
Programa Sentinela
O Programa Sentinela é desenvolvido pelo governo do Estado nas principais cidades paulistas para monitorar a circulação do vírus Influenza A (H1N1). A iniciativa foi desencadeada em 2009, quando houve uma grande epidemia da doença em todo o País.
Naquele ano, em Bauru, foram confirmados 187 casos de gripe A, com oito óbitos. Mas, no período, mais de 5 mil pessoas na cidade apresentaram quadro clínico típico da doença e se curaram sem realizar o exame.
