Meu pupilo na Academia Bauruense de Letras, o brilhante escritor Lucius de Mello, brindou-nos com uma erudita conferência sobre a missão memorialista do escritor, citando os nomes de Clarice Lispector, Françóis Mauriac, Rachel de Queirós, Graciliano Ramos, Machado de Assis e Guimarães Rosa. Permita-me, meu querido, incluir o seu nome entre os memorialistas citados, pois você é um deles, com muita honra e glória.
Mas eu quero também aqui lembrar daqueles mais remotos memorialistas, que nos legaram fatos e eventos tão remotos como, por exemplo, a Arca de Noé, a Fuga do Egito, o Martírio do Cerco de Massada, relatados por escritores que existiram e deixaram suas memórias, como o judeu Flavius Josefo e ainda outros mais remotos e mais consistentes ainda, como os evangelistas, que sem a sua missão memorialista, como saberíamos tudo o que hoje sabemos da passagem de Jesus Cristo no planeta Terra?
Com o cabedal das suas obras já publicadas e até premiadas, você conquistou o seu lugar de escritor memorialista a quem muito se deve, principalmente a vertente cultural judaica, por fornecer fatos que ajudam a manter a identidade cultural de todo um povo, de relevante importância para a cultura ocidental que se estrutura sobre as bases de uma filosofia judaico-cristã.
Isolina Bresolin Vianna