Tribuna do Leitor

As três portas


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Pelo nosso passado, pelo que vimos acontecer e pelo que está acontecendo, vamos falar das três portas: A primeira porta: Numa eleição muito disputada em Assis, um candidato demagogo prometeu que, se fosse eleito, arrancaria a porta do Gabinete do prefeito para que o povo tivesse acesso livre a ele. Ganhou a eleição e arrancou a porta, que ficou exposta com uma placa no Gabinete, com os seguintes dizeres: "Aqui está, o que foi prometido na Campanha". Ficou só nisso e nunca mais se elegeu.

A segunda porta: Em Assis, tinha um pintor de paredes que gostava em excesso de "beber água que passarinho não bebe". Um belo dia, ele chegou no nosso gabinete com uma porta na cabeça, que assustou todos os assessores. E disse: "Prefeito, todo sábado eu compro uma fração de bilhete de loteria Federal (o antigo Gasparino) e prego o mesmo atrás da porta da casinha do meu barraco. Após um porre homérico e depois bem lúcido, fui conferir o bilhete, que deu na cabeça no primeiro lugar. Como fazer para não perder o prêmio. Aqui está a porta com a fração do bilhete. Chamamos a gerente da Caixa Econômica Federal e um carpinteiro que serrou com cuidado a porta, para não rasurar o bilhete. Houve festa, imprensa e curiosos, pois era um fato inédito em Assis. Bem, ele largou de beber, mudou de vida com o dinheiro na poupança. É fantástico! Pois é aconteceu realmente e tinha que ser na gestão do meu pai.

A Terceira porta: O nosso prefeito, que teve nas últimas eleições 82% da votação, por sugestão de algum burocrata eletrônico, instalou na prefeitura grades e portaria eletrônica, em que todos, sem distinção, que vão lá são obrigados a ser fotografados, filmados, com exibição de documentos, inclusive tirar as impressões digitais. Recebem um cartão eletrônico para adentrar naquele órgão público, que de público só tem o nome. Se voltarmos ao passado, está parecendo o SNI, o FBI, a CIA, a Gestapo, etc. Cuidado, caro prefeito, que, por apenas uma frase, Luiz XV e Maria Antonieta perderam as cabeças na Revolução Francesa.

O senhor corre o risco de perder a sua carreira política, que foi um dom que Deus lhe deu. Como ficam as referências conhecidas em todo o Estado e pelo Brasil: Cidade Sem Limites, Bauru - Coração de São Paulo, se o nosso líder máximo está cerceando o livre trânsito dos seus eleitores e dos visitantes que veem conhecer Bauru começando pela prefeitura? Como seu eleitor e seu admirador vai aqui a nossa modesta sugestão: não precisa arrancar a porta da prefeitura e nem trancá-la. Basta que a abra e a seu coração para todos. Existem outros meios para controlar as visitas em seu Gabinete e de seus secretários. É o nosso ponto de vista. Abraços.

Oliveiros Alberto de Castro, ex-prefeito de Assis

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