Roberto Stuckert Filho/PR |
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Morales (Bolívia), Cristina Kirchner (Argentina), Mujica (Uruguai), Dilma e Maduro (Venezuela) |
A presidente Dilma Rousseff defendeu em cúpula do Mercosul que os países da região precisam preservar sua soberania e a privacidade de seus cidadãos e empresas, e que o bloco deve adotar medidas cabíveis para que não se repitam episódios de espionagem como os denunciados recentemente.
“Devemos adotar medidas pertinentes para coibir a repetição de situações como essa”, disse Dilma ontem, durante reunião de cúpula do Mercosul em Montevidéu.
“Nós fomos atingidos diretamente pelas recentes denúncias de que as comunicações eletrônicas e telefônicas de cidadãos e instituições de nossos países estão sendo objeto de espionagem por órgãos de inteligência. Isso fere a nossa soberania.”
Países da América Latina foram envolvidos no caso de suspeitas de espionagem realizadas pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês), conforme denúncia do ex-prestador de serviços da agência Edward Snowden, revelada pelo jornal O Globo.
De acordo com novas revelações, a espionagem dos EUA na Internet atingiu países como Colômbia, Venezuela, Brasil e México.
Em seu discurso após reunião dos países do Mercosul, Dilma manifestou solidariedade ao presidente da Bolívia, Evo Morales, cujo avião foi impedido de passar por países europeus na semana passada por suspeitas de que transportava o ex-prestador de serviços da NSA.
Três países da região - Venezuela, Bolívia e Nicarágua - ofereceram asilo a Snowden, que está numa área de trânsito de um aeroporto de Moscou, depois de ter tido seu passaporte revogado pelos Estados Unidos.
Dilma defendeu o direito de os países concederem asilo. “Nós devemos valorizar o Mercosul, ele é o melhor caminho para o fortalecimento de nossos países, para o desenvolvimento de nossas economias e para a afirmação da cidadania de nossos países”, afirmou.
A presidente destacou também a integração comercial entre os países do bloco, que, segundo ela, ajudou as nações da região a lidar com a crise econômica mundial de 2008. Mas ela defendeu que o Mercosul tenha um cronograma mais acelerado para negociações comerciais com outros países da América do Sul e também com a União Europeia e a África.
O Mercosul é formado por Venezuela, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que foi reintegrado ao bloco após ter sido suspenso temporariamente.
Volta do Paraguai
O Paraguai, suspenso no ano passado por Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela do Mercosul depois da destituição do então presidente Fernando Lugo, foi readmitido ontem como membro do bloco comercial sul-americano.
“A reincorporação do Paraguai foi aprovada”, disse o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ao falar durante a reunião de cúpula do Mercosul em Montevidéu.
A Venezuela assume durante o encontro na Capital uruguaia a presidência rotativa do bloco comercial sul-americano. “Amamos o Paraguai. Nos comprometemos coletivamente e na presidência (do Mercosul) a iniciar as ações imediatas para que tenhamos a incorporação do Paraguai”, disse Maduro.
Lugo foi destituído pelo Congresso acusado de mau desempenho em um veloz e questionado julgamento político e o então vice-presidente Federico Franco assumiu a chefia do Estado. Franco entregará o poder no mês que vem ao presidente eleito, o empresáro Horacio Cartes, do tradicional Partido Colorado, e ele já manifestou sua disposição de trabalhar pela normalização das relações do Paraguai com a região.
Acordos comerciais
A presidente Dilma Rousseff propôs ontemcaos demais países do Mercosul acelerar as negociações comerciais do bloco, incluindo a que está em andamento com a União Europeia (UE), apontando a construção de uma “nova agenda de inserção” global que reflita o potencial da união aduaneira sul-americana.
A política comercial do Brasil e sua prioridade perante o Mercosul, onde tem como sócios Argentina, Venezuela, Uruguai e Paraguai, é objeto de críticas de empresários brasileiros, principalmente pelas travas impostas pela Argentina ao comércio bilateral.
Associações empresariais brasileiras pedem que a maior economia da América Latina oriente suas iniciativas comerciais para países com economias mais dinâmicas e abertas.
Durante reunião entre os chefes de Estado do Mercosul em Montevidéu, Dilma fez um chamado aos seus colegas presidentes para acelerar as negociações comerciais externas.
As negociações para um acordo comercial do Mercosul com a UE se arrastam desde a década de 1990, afetadas pela falta de entendimento para liberalizar o fluxo comercial entre as duas regiões de bens manufaturados e agrícolas.
Dilma disse que o Mercosul também poderia avançar em acordos para liberalizar os investimentos e o comércio de serviços na América do Sul e em convênios com a África.
