Reprodução/Aceituno Jr. |
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Na época do crime, Maria de Almeida ficou totalmente chocada com a morte de seu filho |
Elias de Almeida Filho estaria com 28 anos hoje. Estaria. Ainda adolescente, em 2001, o estudante perdeu a vida em um caso que teve ampla repercussão em Bauru. Após show de rock, Elias foi espancado por um grupo de mais de 30 pessoas no Teatro Municipal. Agora, somente quase doze anos após o crime, dois acusados enfrentarão o júri popular.
Marcelo Nagao – conhecido como Chacal –, hoje com 31 anos, e Márcio Roberto da Silva, 37, sentarão no banco dos réus exatamente daqui a um mês. No dia 13 de agosto, ambos enfrentam a acusação de homicídio duplamente qualificado (motivo fútil e meio que impossibilitou a defesa da vítima) e lesão corporal no Fórum de Bauru.
A confusão que terminou em tragédia ocorreu na noite de 18 de outubro de 2001. Em companhia de amigos, Elias de Almeida Filho, que morava no Parque Santa Cecília, foi ao show. No local, ele teria encontrado com um antigo desafeto, morador do Núcleo Bauru 16.
Ao fugir, no lado de fora do teatro, o estudante foi cercado por aproximadamente 30 pessoas, adolescentes e adultos, que passaram a chutá-lo e socá-lo com barras de ferro e pedaços de madeira.
O estudante sofreu trauma cranioencefálico e ficou internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por cinco dias, quando foi constatada sua morte cerebral.
Apesar do grande número de envolvidos, somente Marcelo Nagao e Márcio da Silva foram indiciados. O inquérito policial, concluído três meses após o fato, foi embasado em depoimentos dos próprios acusados e de testemunhas.
Na época, o delegado que presidiu as investigações relatou que Nagao havia confessado ter espancado o adolescente. Um dos seguranças chegou a narrar que tirou das mãos dele um “cabo de enxada” que teria sido usado para atacar Elias Filho.
“É por isso que, apesar da briga ter sido grande, os dois foram acusados. As testemunhas deram elementos para isso. Por isso, entendemos que ambos (Marcelo e Márcio) tiveram a mesma participação no crime. Nossa intenção é que a Justiça seja feita agora”, destaca José Zonta Júnior, assistente de acusação.
Ao todo, serão ouvidas nove testemunhas. Dessas, duas são de acusação e sete da defesa. “Além da condenação, nós queremos uma indenização à família da vítima. Ainda estamos estudando o valor”, complementa o advogado.
Defesa
Três advogados diferentes passaram pela defesa de Marcelo Nagao. O defensor que atuará no julgamento é Danilo Rodrigues Camargo. Ele tentará a absolvição de seu cliente alegando que Chacal não foi o responsável pelo homicídio.
“A tese que seguiremos é a de negativa de autoria. O entendimento é de que ele bateu e apanhou naquela briga. A vítima pode ter sido agredida por terceiros. Então, tentaremos a absolvição”, revela o advogado.
O defensor conta ainda que está estudando o extenso processo, porém, conta que solicitou anexar o depoimento de um adolescente envolvido no caso. “Esse depoimento será fundamental”, complementa.
A reportagem tentou localizar o advogado de defesa de Márcio Roberto da Silva, entretanto, não obteve sucesso até o fechamento desta edição.
Matou mototaxista
Esta não será a primeira vez que Marcelo Nagao, o Chacal, enfrenta um júri popular. Em junho de 2008, ele foi condenado por assassinar Rogério Aparecido Camargo Alves. O mototaxista foi morto em 2002, quando tinha 27 anos.
Na época, o corpo da vítima foi encontrado em um terreno localizado na Vila São Paulo com o rosto desfigurado e perfurações de projéteis na cabeça e no peito.
Chacal foi preso e confessou o assassinato, que teria ocorrido após uma briga de bar motivada por ciúmes. Pelo homicídio simples e ocultação do cadáver, ele foi condenado a seis anos de prisão.
Mas a ficha de Chacal não para por aí. Antes de ser responsabilizado pelo assassinato, ele já havia sido condenado a três anos e seis meses por tráfico de drogas.
Briga deixou 14 pessoas feridas
Apesar de Elias de Almeida Filho ter sido a única vítima fatal da briga ocorrida na noite de outubro de 2001, o saldo de destruição foi ainda mais amplo. Um colega de Elias teve os dois braços quebrados e mais 14 pessoas saíram feridas.
Por conta disso, além do homicídio, Marcelo Nagao e Márcio da Silva ainda estão sendo julgados pelo artigo 129 do Código Penal, que discorre sobre lesões corporais graves.
O desentendimento, que teve seu estopim no show, porém, teria começado cerca de dois anos antes. As investigações apontaram que Elias paquerou a irmã de um adolescente, amigo de Chacal. Foi então que começou uma série de brigas constantes.
Além dos dois acusados que serão julgados no próximo mês, o inquérito policial enviou oitivas de sete adolescentes acusados de envolvimento na briga. Os casos foram apreciados pela Vara da Infância e Juventude.
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Eduardo Takeshita 12/01/2024Eu conheci o Elias (Tico) eramos colegas de Bairro, vi ele crescer e conhecia a familia. É muito triste toda essa historia, ele tinha uma familia muito humilde, casa simples e trabalhava para ajudar a mãe dele. Já os acusados do assasinato, estive no mesmo ambiente uma vez de um deles e nem imaginava na epoca que era o assasino, os caras realmente eram barra pesada. Fui no enterro do Elias e me marcou quando cantaram a musica do Raul Seixas ( Maluco Beleza) voz e violao. Enfim uma vida perdida por conta de um crescimento longe dos caminhos e ensinamentos de Deus em sua vida ate a adolescencia, vida desregrada e frequentada por lugares e ambientes perigosos, onde havia brigas, drogas e muita bebida alcoolica. Muito triste...
