Um encontro de prefeitos de toda a região de Bauru com o secretário de Estado da Habitação, Sílvio Torres, em Bauru no mês passado, pode resultar no prolongamento do ‘boom imobiliário’ na região. O secretário apresentou as políticas habitacionais do Estado que podem ser executadas em parceria com os municípios paulistas. O objetivo é minimizar os problemas habitacionais e contratar novas moradias para as cidades que têm uma demanda maior por unidades de baixo custo, voltadas a um público que tem renda mensal de zero a três salários mínimos.
A cidade de Lençóis Paulista foi um dos municípios contemplados com o convênio. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, serão construídas 452 moradias para esse público-alvo. Pelo convênio, o Estado repassará R$ 9 milhões dos R$ 40 milhões que serão investidos.
A falta de moradias populares é um problema comum, especialmente em municípios de pequeno porte, onde as empreendedoras não costumam investir. A cidade de Cabrália Paulista, por exemplo, que tem somente 5 mil habitantes, não se encaixa no projeto Minha Casa Minha Vida, faixa I, que beneficia somente os municípios com mais de 50 mil habitantes. Lá há déficit habitacional e o único programa possível é oferecido pela CDHU.
Em Jaú, segundo levantamento da Unesp datado de 2011, o déficit habitacional atingia 9 mil famílias. Mas com a execução de vários projetos, tanto públicos quanto particulares, a cidade está vencendo o obstáculo. Os investimentos não param e o boom imobiliário vem desde 2009.
Crescimento
Pederneiras é outra cidade que está vencendo a falta de moradia motivada pela indústria local. A instalação de empresas de grande porte no município atraiu profissionais de várias áreas de atuação que passaram a trabalhar na cidade, mas que não puderam morar na mesma localidade por conta da falta de moradias.
Além de habitações voltadas ao trabalhador de baixa renda, o município, que tem 42 mil habitantes, já tem aprovado dois loteamentos fechados que segundo a diretora de desenvolvimento urbano, Marta Maria Ruiz Camilo, são focados na população de classes sociais mais elevadas. “Condomínios de luxo.”
A cidade de Botucatu teve que “importar” mão de obra para tirar do papel todos os projetos habitacionais. Focados no público que ganha de zero a três salários mínimos, são mais de duas mil unidades previstas. Parte delas está sendo construída, e outra está em análise.
No setor privado, os empreendimentos também não param de crescer, de acordo com o secretário municipal de habitação, José Carlos Broto. “São unidades verticais com custo em torno de R$ 300 mil. Esses 500 imóveis são voltados para a população mais abastada.”
O município de Agudos foi contemplado com um pacote de recursos estaduais para atender a demanda da casa própria. A novidade é que o distrito de Domélia vai receber 20 moradias. O secretário autorizou 200 lotes urbanizados, programa em que o cidadão recebe o terreno e mais R$ 16 mil a fundo perdido para construir sua casa.