Antonio Cruz/ABr |
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A avaliação positiva do governo Dilma despencou 23 pontos - de 54,2% para 31,3% |
As manifestações populares que tomaram as ruas em todo o País continuam cobrando seu preço do governo da presidente Dilma Rousseff, com forte queda de popularidade e um caminho bem mais complicado para a reeleição, mostrou pesquisa CNT/MDA divulgada ontem.
Segundo o levantamento do instituto MDA encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), 31,3% dos entrevistados fizeram uma avaliação positiva do governo neste mês, ante 54,2% em junho. Já 38,7% veem o governo como regular, ante 35,6% no mês passado. A avaliação negativa mais do que triplicou, passando a 29,5%, ante 9%. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais (veja quadro).
A aprovação do desempenho pessoal de Dilma desabou para 49,3% neste mês, ante os 73,7% registrados em junho. Já a taxa dos que desaprovam o desempenho da presidente pulou para 47,3%, em comparação aos 20,4% anteriores.
No mês passado, manifestantes tomaram as ruas do País para reivindicar melhores serviços públicos e combate à corrupção, entre outras demandas. As manifestações foram aprovadas por 84,3% dos entrevistados, segundo a pesquisa CNT/MDA. “Estão muito ligados os protestos a questões específicas e a resultados que as pessoas querem”, disse o presidente da CNT, senador Clésio Andrade (PMDB-MG), para argumentar que uma recuperação dos níveis anteriores de popularidade é “muito difícil”.
Para Andrade, a resolução dos problemas como transporte público, saúde e educação demandam bilhões de reais em investimentos e os resultados demoram muitos anos para aparecer. Por isso, uma recuperação da popularidade nos níveis do começo do ano dificilmente ocorrerá. “Se as manifestações continuarem e as manifestações derem a entender que são os políticos e que a presidente é a principal responsável, na minha opinião, não vai voltar ao seu patamar normal (de aprovação)”, analisou.
Segundo o levantamento, 49,7% argumentaram que o alvo principal dos protestos foram os “políticos em geral”. Para 21%, as manifestações eram contra o “sistema político do Brasil” e 15,9% responderam que os protestos foram contra a “presidente da República”.
Sobre a atuação de Dilma em relação às manifestações, 24,6% avaliaram como ótima ou boa, enquanto 40,3% consideraram a reação da presidente regular e 30,7% viram como ruim ou péssima.
Corrida eleitoral
Esses números ajudam a explicar ainda as fortes mudanças no quadro eleitoral para o ano que vem. Agora, 44,7% afirmaram que não votariam em Dilma em 2014 “de jeito nenhum”. Para Andrade, “a situação dela não é muito boa, pode recuperar um pouco, mas não como era”.
O levantamento anterior mostrava no cenário principal Dilma com 54,2% das intenções de voto, percentual reduzido agora a 33,4%. O seu principal adversário naquele momento era o senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, que passou de 17,0% para 15,2%.
Já Marina Silva (sem partido) foi quem deu o maior salto em pontos na pesquisa. A ex-senadora, que teve cerca de 20 milhões de votos na disputa presidencial de 2010, pulou de 12,5% das intenções de voto para 20,7% nesta sondagem.
O governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, também subiu, passando de 3,7% para 7,4%.
Outra mudança importante em relação à pesquisa de junho foi o percentual de eleitores que respondeu que não votaria em nenhum desses candidatos ou anularia o voto, que subiu de 8,4% para 17,9%. Para Andrade isso demonstra “uma rejeição total aos políticos”.
Já a forte subida de Marina ocorre, na avaliação do presidente da CNT, porque “ela é considerada a menos política dos políticos”.
No caso de Aécio, o percentual de pessoas que não votariam nele “de jeito nenhum” é de 36,0%. A rejeição a Campos é de 31,9% e à Marina, 31,5%.
Apesar da queda abrupta no cenário eleitoral desenhado pela pesquisa, Dilma venceria todos os adversários listados no segundo turno: 39,6% a 26,2% contra Aécio; 42,1% a 17,7% contra Campos; e 38,2% a 30,5% contra Marina.
Na avaliação de Andrade, o atual quadro eleitoral mostra que a eleição para presidente do ano que vem “está em aberto”, podendo inclusive abrir espaço para o surgimento de novos nomes, como o do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que tem dito publicamente não ter interesse em disputar o cargo.
Foram entrevistadas 2.002 pessoas entre os dias 7 e 10 de julho, em 134 municípios de 20 Estados das cinco regiões do País.
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