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“O que as pessoas precisam entender é que não posso mais usar o nome Zimbo Trio”, ressalta Amilton Godoy |
“O que está causando muita confusão, e o que as pessoas precisam entender, é que não posso mais e estou proibido de usar o nome Zimbo Trio. E gostaria muito que você esclarecesse isso”. É com esse pedido à reportagem do JC que o pianista bauruense Amilton Godoy, um dos criadores do Zimbo Trio juntamente com o baterista Rubens Barsotti, o Rubinho, e o contrabaixista Luiz Chaves, comenta a surpreendente notícia, divulgada ontem pelo jornal O Estado de São Paulo, do fim do conjunto.
E tudo isso aconteceu às vésperas de um dos grupos mais importantes da música brasileira completar 50 anos de história, que seriam comemorados com livro especial no próximo ano. Amilton decidiu deixar de usar o nome Zimbo após saber que a marca Zimbo pertencia ao baterista e que, de agora em diante, precisaria de autorização caso viesse a se apresentar ou a gravar discos com essa nomenclatura.
“Cheguei a receber um organograma de como as coisas deveriam funcionar daqui para frente. E tudo que envolvesse o nome Zimbo teria de ser tratado com o Rubinho. Sempre gostei de ser músico com liberdade para atuar, podendo definir, por exemplo, com quem gravaria ou não. E agora estou perdendo minha liberdade como músico”, destaca Amilton ao JC.
O bauruense frisa, ainda, que vai recorrer à Justiça para tentar por fim à proibição de não poder usar um nome em que fez de tudo para preservar durante quase 50 anos. Apesar de ter surgido com a intenção inicial de não personalizar o grupo, como, por exemplo, Amilton Godoy Trio – nome que ele passou a adotar após o “imbróglio –, o nome Zimbo ficou com Rubinho em uma partilha de empresas que fizeram depois da morte do baixista Luis Chaves. Se ele não concordasse, conforme explicou na reportagem do Estadão, Amilton teria seis anos para contestar a posse na Justiça. “Mas eu não sabia. E só fui informado que o nome era de Rubinho agora, quando venceu o prazo da contestação.”
Dos fundadores, apenas Amilton Godoy empunhava a bandeira do trio, mantendo a essência nos álbuns e nas apresentações. Com problemas de saúde, Rubinho Barsotti fazia aparições cada vez mais esporádicas nos shows. Luiz Chaves morreu em 2007, aos 75 anos. Além de Amilton, os integrantes atuais eram o baterista Pércio Sápia e o baixista Mario Andreotti.
Outro lado
O baterista Rubinho, em tratamento médico, tem sido representado pelo advogado Fábio Sperli e pelo sobrinho do músico, o publicitário Luis Celso Piratininga. Luis Celso preferiu não entrar em detalhes ao receber a ligação da reportagem do Estadão. “É prematuro fazer isso. Há uma precipitação na posição do Amilton em divulgar qualquer coisa. Não vamos nos posicionar diante de um assunto que ainda está sendo tratado entre os sócios”, diz o publicitário, referindo-se a Amilton e Rubinho.
Fábio Sperli também se surpreendeu com a ligação. “Isso não era para ser tratado em público, desta forma. Íamos fazer uma reunião na semana que vem para definir como seria divulgado, não é assim que se apaga a luz de uma história como esta”. Um pouco mais adiante, Fabio abre mais do que teria levado o baterista a se posicionar contrário ao uso do nome por Amilton. “O nome não é só do Rubinho, como também não é apenas do Amilton. Ninguém pode individualmente se aproveitar de algo que tenha sido criado pelo coletivo. O Zimbo é maior do que uma pessoa.”
